O chá preparado com folhas de amoreira-branca, a Morus alba, tem sido estudado por conter 1-desoxinojirimicina, também chamada DNJ, uma substância que pode retardar a digestão de carboidratos e suavizar a elevação da glicose depois das refeições. Os resultados são promissores, mas não significam que a bebida trate o diabetes ou produza o mesmo efeito dos extratos padronizados usados nas pesquisas.
Por que as folhas de amoreira são estudadas?
As folhas da Morus alba concentram alcaloides, flavonoides e compostos fenólicos. Entre eles, a DNJ chama atenção por interferir na alfa-glicosidase, uma enzima intestinal que ajuda a transformar carboidratos em açúcares simples que podem ser absorvidos pelo organismo.
Quando essa enzima é parcialmente inibida, a liberação de glicose tende a ocorrer de maneira mais lenta. Por isso, o chá de amora e os extratos da planta são investigados principalmente como possíveis auxiliares no controle do pico glicêmico após as refeições.
Estudo clínico reforça o efeito após as refeições
Os ensaios clínicos disponíveis não analisam exatamente o mesmo produto. Há pesquisas com pó de folhas, extratos enriquecidos em DNJ e bebidas padronizadas. Essa diferença é importante porque a quantidade do composto ativo em uma infusão doméstica pode variar conforme a espécie, o cultivo, a secagem, o armazenamento e o preparo.
Segundo o estudo Effect of mulberry leaf extract with enriched 1-deoxynojirimycin content on postprandial glycemic control in subjects with impaired glucose metabolism, publicado na revista Journal of Diabetes Investigation, um extrato enriquecido em DNJ reduziu a elevação da glicose após uma refeição em participantes com metabolismo da glicose alterado. O trabalho incluiu testes de dose única e consumo prolongado, mas avaliou um extrato controlado, não qualquer chá caseiro.

Como preparar o chá de folhas de amoreira?
Para fazer a infusão, use folhas identificadas corretamente e próprias para consumo. A página sobre amora-branca também ajuda a diferenciar a espécie de outras plantas conhecidas popularmente como amora.
- Separe 1 colher de chá de folhas frescas ou secas de amoreira.
- Ferva 200 ml de água filtrada e desligue o fogo.
- Adicione as folhas somente depois de retirar a água do fogo.
- Tampe o recipiente e deixe em infusão por cerca de 5 minutos.
- Coe e consuma sem açúcar, preferencialmente logo após o preparo.
- Não aumente a concentração ou a frequência para tentar obter um efeito mais intenso.
Quais são os potenciais efeitos e os cuidados?
Os possíveis benefícios e limitações precisam ser avaliados em conjunto, pois produtos naturais também podem provocar reações adversas e interferir no controle da glicemia.
- Pico glicêmico: a DNJ pode contribuir para uma elevação mais gradual da glicose depois de refeições com carboidratos.
- Digestão dos açúcares: a inibição da alfa-glicosidase pode retardar a quebra e a absorção de parte dos carboidratos.
- Ação antioxidante: as folhas fornecem flavonoides e compostos fenólicos, embora seus benefícios clínicos de longo prazo ainda não estejam definidos.
- Desconfortos digestivos: algumas pessoas podem apresentar gases, náusea, diarreia ou prisão de ventre.
- Hipoglicemia: o chá pode somar seu efeito ao da insulina ou de outros medicamentos usados no diabetes.
- Concentração variável: a quantidade de DNJ em cada xícara não é padronizada como nos extratos utilizados em estudos.

Quem deve buscar orientação antes de consumir?
Pessoas com diabetes, episódios de glicose baixa ou uso de insulina e outros antidiabéticos devem conversar com o médico antes de consumir a bebida com frequência. Também é prudente evitar o uso durante a gravidez, a amamentação e a infância. Tremores, suor frio, fraqueza, confusão e palpitações podem ser sintomas de hipoglicemia e exigem atenção imediata.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação médica. O chá de folhas de amoreira não deve substituir medicamentos, consultas, exames ou orientações alimentares individualizadas. Antes de incluí-lo na rotina, especialmente para controlar a glicemia, busque orientação de um médico, nutricionista ou profissional habilitado em fitoterapia.









