Uma nova pesquisa acendeu alerta ao encontrar concentrações maiores de partículas plásticas em placas de gordura das artérias carótidas, vasos do pescoço que levam sangue ao cérebro. O achado coloca os microplásticos artérias no centro de uma discussão importante sobre AVC, inflamação vascular e riscos ambientais ainda pouco compreendidos.
O que foi encontrado nas artérias
Os pesquisadores analisaram amostras das artérias carótidas de adultos com diferentes perfis: pessoas sem placas, pessoas com placas sem sintomas e pessoas que já tinham apresentado AVC, mini-AVC ou perda temporária da visão por obstrução vascular.
Os principais achados foram:
- As placas de pessoas sem sintomas tinham mais partículas plásticas do que artérias sem placas;
- As placas de quem teve AVC ou sintomas semelhantes tinham concentrações ainda maiores;
- As partículas avaliadas incluíam microplásticos e nanoplásticos;
- O estudo encontrou associação, mas não prova causa direta.

O estudo científico preliminar
Segundo a pesquisa preliminar Micronanoplastics found in artery-clogging plaque in the neck, divulgada pela American Heart Association e apresentada no encontro Vascular Discovery 2025 Scientific Sessions: From Genes to Medicine, foram avaliadas 48 amostras de artérias carótidas coletadas entre 2023 e 2024.
O estudo observou que pessoas com sintomas ligados à obstrução da carótida tinham, em média, 2.888 microgramas de micronanoplásticos por grama de placa. Já pessoas com placa, mas sem sintomas, tinham 895 microgramas por grama, enquanto tecidos sem placa tinham 57 microgramas por grama.
Por que isso preocupa
A carótida é uma artéria importante porque ajuda a levar sangue ao cérebro. Quando há acúmulo de gordura e inflamação nesse vaso, o risco de obstrução e de formação de coágulos pode aumentar.
A presença de microplásticos nas placas preocupa porque essas partículas podem estar ligadas a inflamação, estresse oxidativo e alterações na atividade de células imunes. Ainda assim, os cientistas ressaltam que é cedo para afirmar que os microplásticos causam AVC.
Onde os microplásticos aparecem
Microplásticos são fragmentos muito pequenos de plástico, geralmente originados da degradação de embalagens, tecidos sintéticos, pneus, resíduos industriais e outros materiais presentes no ambiente.
- Podem ser inalados pela poeira e pelo ar;
- Podem ser ingeridos pela água e por alimentos;
- Já foram detectados em sangue, pulmões, fígado e placenta;
- Ainda não há exame de rotina indicado para medir essas partículas no corpo.

O que fazer agora
O achado não deve gerar pânico, mas reforça a importância de reduzir exposições evitáveis e proteger a saúde vascular. Dar preferência a alimentos pouco processados, evitar aquecer comida em plástico, reduzir descartáveis e controlar pressão, colesterol, diabetes e tabagismo continuam sendo medidas mais concretas para o coração e o cérebro.
Para entender melhor o que são essas partículas e os possíveis riscos em investigação, veja o guia do Tua Saúde sobre microplásticos.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, neurologista ou cardiologista.









