Dor abdominal recorrente, barriga inchada e mudanças frequentes no funcionamento do intestino podem indicar síndrome do intestino irritável, especialmente quando os sintomas melhoram ou se modificam após a evacuação. Algumas pessoas apresentam mais diarreia, outras sofrem com prisão de ventre e há ainda quem alterne entre os dois quadros. Embora não provoque feridas visíveis no intestino, a condição pode afetar o sono, a alimentação, o trabalho e a qualidade de vida, exigindo uma estratégia de tratamento individualizada.
Como reconhecer a síndrome do intestino irritável?
A síndrome do intestino irritável é um distúrbio da interação entre o intestino e o cérebro. A dor pode surgir como cólica, pressão ou pontada, geralmente acompanhada de gases, distensão abdominal, urgência para evacuar, sensação de evacuação incompleta ou presença de muco nas fezes.
É comum que a dor melhore após evacuar, mas isso não ocorre em todos os casos. Pelos critérios atuais, basta que ela esteja relacionada à evacuação, podendo diminuir, permanecer ou até piorar. Estresse, sono irregular, infecções intestinais anteriores e determinados alimentos também podem intensificar as crises.
Estudo confirma o benefício da dieta baixa em FODMAP
Os FODMAPs são carboidratos de difícil absorção encontrados em alimentos como trigo, leite, cebola, alho, feijão, maçã, mel e alguns adoçantes. Em pessoas sensíveis, eles atraem água para o intestino e são fermentados pelas bactérias, aumentando gases, distensão, cólicas e alterações nas fezes.
Segundo o estudo A diet low in FODMAPs reduces symptoms of irritable bowel syndrome, publicado na revista científica Gastroenterology, uma alimentação com menor quantidade desses carboidratos reduziu sintomas gastrointestinais em pessoas com a síndrome. A pesquisa corrobora o uso da estratégia, mas a restrição deve ser temporária e acompanhada por nutricionista para evitar carências alimentares.

Quais são os critérios de Roma IV?
O diagnóstico considera um conjunto específico de sintomas, e não apenas episódios isolados de gases, diarreia ou prisão de ventre:
- dor abdominal recorrente, em média, pelo menos um dia por semana nos últimos três meses;
- dor relacionada à evacuação, mesmo que não desapareça completamente depois de evacuar;
- mudança na frequência das evacuações durante os períodos de dor;
- mudança no formato ou na aparência das fezes;
- presença de pelo menos dois dos três critérios relacionados à evacuação e às fezes;
- início dos sintomas pelo menos seis meses antes da avaliação.
O que pode ser feito para controlar os sintomas?
O tratamento é escolhido conforme o tipo predominante de alteração intestinal e os fatores que desencadeiam cada crise:
- manter um diário com alimentos, sintomas, evacuações e situações de estresse;
- estabelecer horários regulares para comer, dormir e realizar atividade física;
- aumentar gradualmente fibras solúveis, como aveia e psyllium, quando houver indicação;
- reduzir temporariamente os FODMAPs, reintroduzindo depois cada grupo de alimentos;
- evitar excesso de álcool, cafeína, refeições gordurosas e adoçantes que agravem os sintomas;
- usar medicamentos para cólica, diarreia ou constipação apenas com orientação profissional;
- considerar psicoterapia e técnicas de relaxamento quando ansiedade e estresse piorarem as crises.

Quando procurar um gastroenterologista?
A dieta baixa em FODMAPs geralmente começa com uma fase curta de redução, seguida pela reintrodução gradual dos alimentos e pela personalização da alimentação. Cortar permanentemente frutas, legumes, laticínios e cereais sem necessidade pode diminuir a ingestão de fibras, vitaminas e minerais, além de alterar a microbiota intestinal.
Procure avaliação diante de sangue nas fezes, anemia, febre, vômitos persistentes, emagrecimento sem explicação, sintomas que acordam durante a noite ou início recente após os 50 anos. Esses sinais não são típicos da síndrome e podem exigir exames para investigar doença celíaca, inflamações intestinais, intolerâncias, infecções ou outras causas. O tratamento do intestino irritável deve ser adaptado aos sintomas de cada pessoa.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dor abdominal recorrente ou mudanças persistentes nas evacuações, procure orientação de um gastroenterologista e de um nutricionista antes de retirar grupos alimentares ou iniciar medicamentos.









