O aldosteronismo primário é uma causa hormonal e tratável de pressão alta que muitas vezes não dá sinais claros, mas pode manter a pressão difícil de controlar e aumentar o risco de complicações cardiovasculares se não for identificado.
O que é aldosteronismo primário
O aldosteronismo primário acontece quando as glândulas adrenais produzem aldosterona em excesso. Esse hormônio faz o corpo reter mais sódio e água, o que pode elevar a pressão e sobrecarregar vasos, coração e rins.
Embora seja lembrado quando há potássio baixo, muitas pessoas com a condição têm potássio normal. Por isso, esperar esse sinal aparecer pode atrasar o diagnóstico e manter a pressão alta sem uma causa bem investigada.
O que a diretriz de 2025 mudou
A mudança importante é ampliar o rastreio. Em vez de investigar apenas casos muito resistentes ou com potássio baixo, a diretriz de 2025 passou a destacar a triagem do aldosteronismo primário em pessoas com hipertensão estágio 2, geralmente a partir de 140/90 mmHg, e em quem tem pressão resistente.
Na prática, isso ajuda a encontrar uma causa tratável antes que o paciente passe anos apenas aumentando doses de remédios, sem investigar por que a pressão continua elevada.

O que mostrou o estudo científico
Segundo a revisão científica Updates in the 2025 AHA/ACC Hypertension Guideline, publicada na Current Hypertension Reports e disponível no NIH/PubMed Central, a diretriz de 2025 da AHA/ACC ampliou o rastreamento do aldosteronismo primário para todos os pacientes com hipertensão estágio 2 ou resistente.
O artigo explica que essa mudança busca reduzir o subdiagnóstico de uma causa secundária comum de hipertensão. Quando identificada, ela pode ter tratamento mais direcionado, com medicamentos específicos ou, em alguns casos, cirurgia quando há produção excessiva por uma das adrenais.
Sinais que merecem atenção
O aldosteronismo primário pode ser silencioso, mas alguns achados aumentam a suspeita e devem ser comentados com o médico durante a avaliação da pressão.
- Pressão acima de 140/90 mmHg em medidas repetidas;
- Pressão resistente, quando não controla mesmo com três ou mais remédios;
- Potássio baixo, com fraqueza, câimbras ou palpitações;
- Histórico de hipertensão precoce na família;
- Apneia do sono ou nódulo adrenal encontrado em exame de imagem.

Como é feito o rastreio
O exame inicial costuma ser a relação entre aldosterona e renina no sangue. Ele ajuda a identificar se há produção inadequada de aldosterona, mas precisa ser interpretado com cuidado porque alguns remédios, o sal da dieta e o potássio podem alterar o resultado.
- Não suspenda remédios por conta própria antes do exame;
- Informe ao médico todos os medicamentos em uso;
- Leve registros de pressão medidos em casa, se tiver;
- Após triagem positiva, podem ser necessários testes confirmatórios;
- O tratamento pode envolver espironolactona, eplerenona ou avaliação cirúrgica.
Encontrar o aldosteronismo primário muda a lógica do tratamento: em vez de apenas baixar números, o objetivo passa a tratar a causa da pressão alta e reduzir riscos futuros para coração, cérebro e rins.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, cardiologista, endocrinologista ou outro profissional de saúde.









