O zinco ganhou popularidade como aliado natural no combate ao resfriado, especialmente na forma de pastilhas iniciadas logo nas primeiras horas dos sintomas. Esse mineral participa da resposta imunológica e pode reduzir a duração da infecção quando usado no momento certo e na dose adequada. No entanto, a suplementação nem sempre é necessária, tem efeitos colaterais conhecidos e exige atenção ao tempo de uso, o que reforça a importância de entender o que a ciência mostra antes de recorrer ao suplemento por conta própria.
O que é o resfriado e como o zinco atua?
O resfriado é uma infecção viral autolimitada das vias aéreas superiores, causada principalmente por rinovírus, com sintomas como coriza, espirros, dor de garganta e mal-estar leve. Segundo a Sociedade Brasileira de Infectologia, o quadro costuma durar entre cinco e sete dias e se resolve sem tratamento específico.
O zinco participa da produção e da função das células de defesa, além de interferir na replicação viral no epitélio da garganta e do nariz. Por isso, pastilhas contendo o mineral podem reduzir a duração dos sintomas, especialmente quando iniciadas nas primeiras 24 horas. Entender a diferença entre gripe e resfriado ajuda a definir a conduta adequada.
Como o zinco pode ajudar em resfriados frequentes?
Adultos com resfriados recorrentes costumam apresentar deficiência subclínica de zinco, cansaço frequente e recuperação mais lenta das infecções respiratórias. Nesses casos, o mineral pode encurtar o tempo de sintomas e reduzir a intensidade do mal-estar.
O efeito é mais consistente quando o zinco é usado na forma de pastilhas que se dissolvem lentamente na boca, o que permite ação direta na mucosa da orofaringe. Uma alimentação rica em alimentos ricos em zinco também contribui para manter os níveis adequados no organismo.

O que diz a revisão Cochrane sobre pastilhas de zinco?
As evidências mais consistentes sobre o uso de zinco em resfriados vêm de revisões sistemáticas que reuniram ensaios clínicos randomizados em adultos. Segundo o estudo Zinc for prevention and treatment of the common cold publicado na Cochrane Database of Systematic Reviews em 2024, a análise reuniu 34 estudos com participantes de várias faixas etárias e avaliou diferentes formulações do mineral.
A revisão indicou que o uso de zinco iniciado nas primeiras 24 horas dos sintomas pode reduzir a duração do resfriado em cerca de dois dias, especialmente na forma de pastilhas. Os autores destacam que os resultados variam conforme a dose e a formulação, e que os benefícios precisam ser equilibrados com os possíveis efeitos adversos.
Quais são as doses e efeitos colaterais mais comuns?
Nem todo suplemento de zinco funciona da mesma forma, e a resposta depende da formulação, da dose e do tempo de uso. Os principais pontos observados nos estudos são:
- Formulação eficaz: pastilhas de acetato ou gluconato de zinco que se dissolvem lentamente na boca.
- Dose estudada: geralmente entre 75 e 100 mg de zinco elementar por dia, distribuídos em várias pastilhas.
- Início do uso: nas primeiras 24 horas dos sintomas, para maior chance de encurtar o quadro.
- Efeitos colaterais mais comuns: náusea, gosto metálico persistente e desconforto gástrico.
- Duração do tratamento: limitada ao período dos sintomas, geralmente entre cinco e sete dias.
- Uso preventivo diário: entre 8 e 11 mg para adultos, com limite máximo seguro de 40 mg ao dia.
Doses acima do limite seguro por conta própria aumentam o risco de efeitos adversos.

Quando o uso de zinco exige cautela?
Apesar dos benefícios em quadros pontuais, o uso prolongado ou em doses elevadas pode trazer riscos importantes. Considere os seguintes cuidados antes de iniciar a suplementação:
- Evitar o uso contínuo por mais de duas semanas sem orientação profissional, para não comprometer a absorção de cobre.
- Suspender o suplemento em caso de náusea persistente, vômitos ou alteração intensa do paladar.
- Ter cautela com o uso em gestantes, lactantes, idosos e pessoas com doenças crônicas.
- Não combinar zinco com suplementos de ferro ou cálcio no mesmo horário, pois competem pela absorção.
- Procurar avaliação médica em caso de resfriados frequentes, que podem indicar baixa imunidade ou outras condições clínicas.
Priorizar a alimentação equilibrada continua sendo a forma mais segura de manter os níveis adequados de zinco, com suplementação reservada a casos específicos e sempre com acompanhamento profissional.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um médico de confiança.









