O atacante brasileiro Rodrygo sofreu ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) e do menisco lateral do joelho direito durante partida da La Liga e ficará fora da Copa do Mundo. A lesão é uma das mais comuns e temidas no futebol, pois compromete a estabilidade da articulação e exige cirurgia seguida de longa reabilitação. Entender o que é o LCA, por que essa ruptura acontece, como é feito o tratamento e quanto tempo demora a recuperação ajuda a compreender a dimensão do problema enfrentado pelo jogador e por milhares de atletas amadores todos os anos.
Qual é a função do ligamento cruzado anterior?
O ligamento cruzado anterior é uma estrutura fibrosa localizada dentro do joelho, ligando o fêmur à tíbia. Ele forma um “X” com o ligamento cruzado posterior e é responsável por impedir o deslocamento excessivo da tíbia para frente, além de controlar movimentos de rotação.
É esse ligamento que garante estabilidade em ações de aceleração, desaceleração, salto e mudança rápida de direção. Sem o LCA íntegro, o joelho fica com sensação de falseio, dor e limitação, especialmente em atividades esportivas de alta demanda.
Como acontece o mecanismo típico dessa lesão?
Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, a maior parte das rupturas do LCA ocorre sem contato direto com outro jogador. O mecanismo mais comum envolve o pé fixo no chão enquanto o corpo gira, gerando uma torção intensa que ultrapassa a resistência das fibras ligamentares.
No momento do trauma, é comum o atleta ouvir um estalo característico, sentir dor imediata e notar inchaço em poucas horas. Nos casos mais graves, como o de Rodrygo, há também comprometimento do menisco, aumentando a complexidade da lesão nos ligamentos do joelho e exigindo abordagem cirúrgica cuidadosa.

Quais são os principais sintomas após a ruptura?
Reconhecer os sinais da lesão logo após o trauma é essencial para buscar avaliação médica rápida. Os sintomas mais frequentes incluem:
- Estalo audível: som característico no momento da torção, associado à ruptura das fibras do ligamento.
- Dor intensa: desconforto imediato e agudo que dificulta apoiar o peso do corpo sobre a perna afetada.
- Inchaço rápido: aumento do volume do joelho nas primeiras horas, causado por sangramento dentro da articulação.
- Sensação de falseio: instabilidade ao caminhar, especialmente em terrenos irregulares ou ao girar o corpo.
- Limitação de movimento: dificuldade para dobrar ou esticar completamente o joelho por causa da dor e do inchaço.
Por que a cirurgia com enxerto é o tratamento padrão?
A Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho reforça que o LCA tem baixa capacidade de cicatrização espontânea, o que torna a reconstrução cirúrgica indicada para atletas e pessoas ativas. O procedimento é feito por videoartroscopia, técnica minimamente invasiva que utiliza pequenas incisões e uma câmera para reconstruir o ligamento.
No lugar do ligamento rompido, o cirurgião coloca um enxerto de tendão, geralmente retirado do próprio paciente, para servir de base ao crescimento de um novo ligamento. Essa abordagem restaura a estabilidade da articulação e permite que a pessoa retome atividades esportivas com segurança, como detalha o material sobre lesão do ligamento cruzado anterior.

O que a ciência mostra sobre o retorno ao esporte?
A eficácia da cirurgia de reconstrução do LCA em atletas profissionais é bem documentada. Segundo a revisão sistemática e meta-análise Eighty-three per cent of elite athletes return to preinjury sport after anterior cruciate ligament reconstruction, publicada na revista British Journal of Sports Medicine e indexada no PubMed, cerca de 83% dos atletas de elite conseguem voltar ao esporte no mesmo nível competitivo após a cirurgia, com taxa de nova ruptura do enxerto próxima a 5%.
Os autores destacam ainda que a maioria dos atletas retorna com desempenho comparável ao de esportistas não lesionados, resultado que depende diretamente de uma reabilitação estruturada, com fisioterapia progressiva e liberação médica cautelosa. A recuperação típica leva de seis a nove meses, podendo se estender até doze meses em casos com lesão associada de menisco, como o do jogador brasileiro.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Em caso de dor ou instabilidade no joelho, procure orientação médica com ortopedista especialista em joelho.









