A lesão que afastou Lucas Paquetá das oitavas de final é um estiramento na região posterior da coxa, uma das mais comuns entre jogadores de futebol. Essa área concentra os músculos isquiotibiais, responsáveis por movimentos explosivos como corridas, arrancadas e chutes. Entender como essa lesão acontece ajuda a reconhecer os sinais precocemente e evitar que um simples desconforto se transforme em semanas de afastamento do esporte.
O que são os músculos isquiotibiais?
Os isquiotibiais formam um grupo de três músculos localizados na parte de trás da coxa: o bíceps femoral, o semitendíneo e o semimembranoso. Eles se estendem do quadril até a região próxima ao joelho e atuam de forma coordenada em dois movimentos essenciais, a extensão do quadril e a flexão do joelho.
Essa musculatura é fundamental para gestos esportivos que exigem velocidade e mudança rápida de direção, como sprints, saltos e chutes. Por atravessarem duas articulações, os isquiotibiais suportam grande tensão durante a corrida, o que explica a alta incidência de estiramento na coxa em atletas de esportes de explosão.
Como acontece a lesão no posterior da coxa?
A lesão ocorre quando as fibras musculares dos isquiotibiais são estiradas além do limite ou sofrem ruptura parcial. Isso costuma acontecer em movimentos bruscos, como uma arrancada em alta velocidade, um chute com força ou uma frenagem repentina, situações típicas de uma partida de futebol.
Fatores como fadiga muscular, desequilíbrio de força entre a parte da frente e a parte de trás da coxa, aquecimento insuficiente e histórico de lesões anteriores aumentam o risco. A prevenção passa por fortalecimento adequado, boa nutrição e uma rotina consistente de aquecimento antes da atividade física.

Quais são os sintomas mais comuns?
Os sinais costumam aparecer de forma súbita, ainda durante o esforço físico, e variam conforme a gravidade do estiramento. Reconhecer esses sintomas rapidamente é decisivo para evitar o agravamento do quadro:
- Fisgada repentina na parte de trás da coxa no momento do movimento;
- Dor aguda que dificulta continuar correndo ou caminhando;
- Perda de força ao tentar dobrar o joelho ou impulsionar a perna;
- Inchaço e hematoma na região posterior da coxa após algumas horas;
- Sensibilidade ao toque e rigidez muscular ao longo dos dias seguintes.
O que um estudo científico revela sobre a recuperação?
Pesquisas ajudam a entender por que atletas de alto rendimento, como Paquetá, precisam respeitar um protocolo rigoroso de recuperação antes de voltar aos gramados. Segundo o artigo de atualização Lesões dos isquiotibiais, publicado na Revista Brasileira de Ortopedia, cerca de dois terços das lesões musculares na coxa em jogadores profissionais são classificadas como estruturais e exigem tempo de afastamento significativamente maior. O estudo aponta que quanto maior a gravidade da lesão, mais longo é o retorno ao esporte, reforçando a importância de exames de imagem como ultrassom e ressonância magnética para classificar o quadro corretamente.

Como é feito o tratamento e a recuperação?
O tratamento inicial segue o protocolo de repouso, aplicação de gelo, compressão e elevação da perna nas primeiras 48 a 72 horas. Anti-inflamatórios podem ser prescritos pelo médico para aliviar a dor e o inchaço, e a avaliação por exame de imagem é essencial para definir o grau da lesão.
A recuperação deve ser gradual e acompanhada por profissional especializado, envolvendo sessões de tratamento para distensão muscular com progressão em etapas para garantir a retomada segura da atividade. As principais fases envolvem:
- Fase aguda: controle da dor e do inchaço com repouso relativo e crioterapia;
- Fase intermediária: recuperação da amplitude de movimento com exercícios leves e mobilização;
- Fortalecimento: trabalho progressivo com foco em exercícios excêntricos dos isquiotibiais;
- Retorno esportivo: reintrodução de corridas, sprints e gestos específicos da modalidade;
- Prevenção de recidivas: manutenção do fortalecimento e da estabilidade do tronco.
Retornar antes da recuperação completa é uma das principais causas de nova lesão, o que explica a cautela das comissões técnicas em casos como o de Paquetá. Diante de qualquer dor ou fisga na região posterior da coxa, o ideal é interromper a atividade e procurar um ortopedista ou médico do esporte para avaliação individualizada, exame de imagem e definição do plano de tratamento mais adequado.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado.









