O zumbido constante no ouvido costuma ser associado à cera acumulada, mas nem sempre essa é a causa. Quando o som persiste, piora à noite ou vem junto de alterações como sono ruim, ansiedade, pressão alta ou perda auditiva, a investigação precisa olhar além do canal do ouvido.
Por que nem sempre é cera
A cera pode causar sensação de ouvido tampado, coceira, redução da audição e zumbido, mas o zumbido constante também pode surgir por exposição a ruídos, envelhecimento da audição, infecções, alterações da articulação da mandíbula, uso de alguns medicamentos e problemas circulatórios.
Por isso, tentar limpar o ouvido em casa com hastes, pinças ou receitas caseiras pode piorar a irritação e empurrar a cera para dentro. A avaliação médica ajuda a diferenciar uma obstrução simples de outras causas que precisam de cuidado específico.
O que diz o estudo científico
Segundo o estudo Identifying psychological and clinical risk factors for moderate-to-severe tinnitus in older patients with hearing loss: a multivariable prediction model, publicado na revista Frontiers in Neurology, alguns fatores clínicos e emocionais foram associados ao risco de zumbido moderado a grave em pessoas com perda auditiva.
Esse foi um estudo retrospectivo de centro único com 301 pacientes com perda auditiva. Os pesquisadores identificaram como fatores independentes associados ao zumbido moderado a grave: idade avançada, hipertensão, má qualidade do sono, ansiedade e perda auditiva severa.

Sinais que pedem investigação
Quando o zumbido passa a interferir no descanso, na concentração ou no bem-estar emocional, vale observar outros sinais junto do som percebido no ouvido.
- Zumbido constante por vários dias ou semanas.
- Piora do som à noite ou após noites mal dormidas.
- Sensação de ouvido tampado, dor, tontura ou perda auditiva.
- Zumbido pulsátil, no ritmo dos batimentos do coração.
- Ansiedade, irritabilidade ou dificuldade para dormir por causa do sintoma.
Como sono, ansiedade e pressão alta entram na conta
O sono ruim pode aumentar a percepção do zumbido porque reduz a tolerância do cérebro a estímulos incômodos. Já a ansiedade pode criar um ciclo em que a pessoa presta mais atenção ao som, fica mais tensa e percebe o zumbido com mais intensidade.
A pressão alta também merece atenção, especialmente quando o zumbido parece pulsar ou vem com dor de cabeça, tontura ou palpitações. Nesses casos, medir a pressão e relatar os sintomas ao médico ajuda a direcionar a avaliação.

O que observar antes da consulta
Algumas informações simples ajudam o profissional a entender melhor a origem do zumbido e decidir se será necessário examinar o ouvido, solicitar audiometria ou investigar outras condições.
- Se o zumbido é em um ouvido ou nos dois.
- Se começou após gripe, barulho intenso, estresse ou uso de remédio novo.
- Se existe perda auditiva, tontura, dor ou secreção.
- Como está o sono e se há sintomas de ansiedade.
- Se há histórico de hipertensão ou pressão descontrolada.
Para entender outras causas possíveis e formas de tratamento, veja também o conteúdo sobre zumbido no ouvido.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









