A sífilis na gravidez pode ser silenciosa para a mãe, mas grave para o bebê. Quando não é diagnosticada e tratada a tempo, a infecção pode atravessar a placenta e causar sífilis congênita, aumentando o risco de aborto, parto prematuro, alterações neurológicas, surdez, cegueira e morte ao nascer.
Por que o bebê paga a conta
A transmissão vertical acontece quando a bactéria Treponema pallidum passa da gestante para o feto durante a gravidez ou no parto. O risco é maior quando a infecção é recente, mas pode existir em qualquer fase se não houver tratamento adequado.
De acordo com o Boletim Epidemiológico de Sífilis 2025 do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 89.724 novos casos de sífilis em gestantes em 2024, com taxa nacional de 35,4 casos por 1.000 nascidos vivos, a maior da série recente de 2014 a 2024.

Por que testar três vezes
O teste precisa ser repetido porque uma gestante pode ter resultado negativo no início da gravidez e adquirir sífilis depois. Além disso, detectar a infecção perto do parto ainda permite proteger o recém-nascido e orientar o cuidado imediato.
- Primeiro trimestre, ou na primeira consulta de pré-natal;
- Terceiro trimestre, para identificar infecção adquirida durante a gestação;
- No parto ou em caso de aborto, para evitar perda de diagnóstico;
- Também após exposição de risco ou violência sexual.
O que um estudo científico reforça
Esse cuidado não é excesso de exame. Ele existe porque a sífilis pode surgir entre uma consulta e outra, e o tratamento precisa começar cedo o suficiente para reduzir a chance de transmissão ao bebê.
Segundo o estudo observacional Effectiveness of Prenatal Screening and Treatment to Prevent Congenital Syphilis, Louisiana and Florida, 2013–2014, publicado na revista Sexually Transmitted Diseases, o rastreio no início e no terceiro trimestre ajudou a prevenir muitos casos de sífilis congênita. Entre 109 gestantes diagnosticadas no terceiro trimestre, 85 tiveram bebês sem sífilis congênita.
Sinais que merecem atenção
A sífilis pode não causar sintomas, mas alguns sinais devem motivar testagem e avaliação médica, especialmente durante a gravidez.
- Ferida indolor na região genital, boca ou ânus;
- Manchas na pele, inclusive nas palmas das mãos e plantas dos pés;
- Ínguas, febre baixa, mal-estar ou dor de garganta;
- Parceiro com diagnóstico de sífilis ou outra IST;
- Relação sexual sem preservativo.

Como prevenir a sífilis congênita
A prevenção depende de pré-natal cedo, testagem repetida, tratamento correto com penicilina quando indicado e avaliação das parcerias sexuais. Sem tratar o parceiro, a gestante pode se reinfectar e o bebê continua em risco.
Quem recebeu diagnóstico deve guardar os exames, seguir o esquema completo e confirmar com o obstetra quando repetir o VDRL. Entenda também os sintomas e cuidados da sífilis congênita, principalmente se houve diagnóstico no fim da gestação ou tratamento incompleto.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









