A hérnia de hiato é o deslocamento de parte do estômago para dentro do tórax, através de uma abertura natural do diafragma chamada hiato esofágico. É uma condição muito comum a partir dos 50 anos, geralmente benigna e silenciosa, mas que pode causar refluxo, azia e dor no peito. Embora não exista um remédio que devolva o estômago à posição original, é possível controlar os sintomas e prevenir complicações com mudanças de estilo de vida e, quando necessário, medicação ou cirurgia.
O que é a hérnia de hiato?
O hiato esofágico é a passagem do esôfago pelo diafragma até o estômago. Quando essa abertura se alarga ou os tecidos ao redor enfraquecem, parte do estômago pode “subir” para o tórax, formando a hérnia.
O tipo mais comum é a hérnia por deslizamento, em que a junção entre o esôfago e o estômago se move para cima. Já a hérnia paraesofágica, mais rara, pode oferecer risco de complicações por compressão de outros órgãos. O diagnóstico costuma ser feito por endoscopia digestiva alta ou exames de imagem.
Quais são os sintomas mais comuns da hérnia de hiato?
Muitas pessoas convivem com a hérnia de hiato sem perceber, principalmente quando ela é pequena. Quando há sintomas, eles aparecem porque o refluxo de ácido gástrico atinge o esôfago com mais facilidade.
Os sinais mais frequentes relatados pelos pacientes incluem:

Em muitos casos, esses sintomas se sobrepõem ao quadro de refluxo gastroesofágico, doença diretamente relacionada à hérnia.
Por que a hérnia de hiato afeta mais pessoas com mais de 50 anos?
Com o passar dos anos, os músculos e ligamentos que sustentam o hiato esofágico perdem firmeza, o que facilita o deslocamento do estômago. Fatores como obesidade, gravidez, tabagismo, tosse crônica e constipação aumentam ainda mais a pressão dentro do abdome e contribuem para o problema.
Um estudo de coorte com tomografias de tórax confirmou esse padrão de envelhecimento. Segundo a pesquisa Hiatal hernia prevalence and natural history on non-contrast CT in the Multi-Ethnic Study of Atherosclerosis, publicada no BMJ Open Gastroenterology, a prevalência da hérnia subiu de 2,4% entre pessoas na faixa dos 50 anos para 16,6% nos participantes na nona década de vida, com maior frequência em mulheres.
A hérnia de hiato realmente não tem cura?
Não existe medicamento capaz de fechar o hiato esofágico alargado ou recolocar o estômago na posição original sem cirurgia. Por isso, na maioria dos casos, a hérnia é considerada uma condição crônica, em que o foco do tratamento é controlar os sintomas, especialmente os ligados à azia e ao refluxo.
O tratamento clínico costuma incluir inibidores de bomba de prótons, antiácidos e mudanças no estilo de vida. A cirurgia é reservada para hérnias grandes, paraesofágicas ou para casos em que os sintomas não respondem aos medicamentos, mas mesmo após o procedimento existe risco de recidiva, segundo dados de cirurgia digestiva.

Como aliviar os sintomas no dia a dia?
Pequenos ajustes na rotina podem fazer grande diferença para quem convive com a hérnia de hiato e melhorar a qualidade de vida sem depender apenas de medicamentos.
Entre as medidas mais recomendadas estão:
- Fazer refeições menores e mais frequentes ao longo do dia;
- Evitar deitar-se logo após comer, esperando ao menos 2 a 3 horas;
- Elevar a cabeceira da cama em cerca de 15 centímetros;
- Reduzir café, álcool, frituras, alimentos muito condimentados e refrigerantes;
- Controlar o peso corporal e parar de fumar;
- Evitar roupas muito apertadas na região abdominal.
Os sintomas da hérnia de hiato podem se confundir com outras doenças do estômago e até do coração. Por isso, diante de azia frequente, dor torácica ou dificuldade para engolir, é fundamental procurar um gastroenterologista para uma avaliação individualizada e definir o melhor tratamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado.









