A gonorreia é uma infecção sexualmente transmissível comum e curável, mas a resistência da bactéria aos antibióticos vem reduzindo as opções de tratamento. Por isso, a aprovação de novas terapias orais reacendeu a atenção para uma IST que nem sempre causa sintomas, mas pode trazer complicações quando não é tratada corretamente.
Por que a resistência preocupa
A gonorreia é causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, que pode infectar uretra, colo do útero, reto, garganta e olhos. Ao longo dos anos, essa bactéria desenvolveu resistência a diferentes antibióticos, tornando o tratamento mais desafiador.
Segundo a FDA, foram aprovados dois medicamentos orais para gonorreia urogenital não complicada: zoliflodacina, em grânulos dissolvidos em água, e gepotidacina, em comprimidos. As aprovações valem para pacientes a partir de 12 anos, com critérios específicos de peso e indicação.
O que o estudo científico mostrou
O avanço das opções orais foi investigado em estudos que compararam novos antibióticos com esquemas já usados na prática. Isso é importante porque uma opção por boca pode facilitar o tratamento, mas precisa ter eficácia semelhante e segurança bem avaliada.
Segundo o ensaio clínico randomizado de fase 3 Zoliflodacin versus ceftriaxone plus azithromycin for treatment of uncomplicated urogenital gonorrhoea: an international, randomised, controlled, open-label, phase 3, non-inferiority clinical trial, publicado no The Lancet, a zoliflodacina oral mostrou eficácia comparável ao tratamento padrão com ceftriaxona injetável mais azitromicina em pessoas com gonorreia urogenital não complicada.

O que muda no tratamento
A principal mudança é ampliar o repertório contra uma bactéria com histórico de escapar de antibióticos. Ainda assim, isso não significa que qualquer pessoa poderá trocar o tratamento atual por comprimidos sem avaliação.
- As novas opções são voltadas para gonorreia urogenital não complicada.
- O tratamento padrão pode continuar indicado em muitos casos.
- Infecções na garganta, no reto ou disseminadas podem exigir outra conduta.
- A escolha depende de idade, peso, gravidez, alergias e disponibilidade local.
- O uso incorreto de antibióticos pode aumentar ainda mais a resistência.
Sintomas que não devem ser ignorados
A gonorreia pode ser silenciosa, especialmente em mulheres, mas também pode causar sinais incômodos poucos dias após a exposição. Quando há suspeita, é importante evitar relações sexuais até avaliação e orientação.
- Dor ou ardor ao urinar.
- Corrimento amarelado, esverdeado ou com mau cheiro.
- Dor pélvica, dor testicular ou sangramento fora do período menstrual.
- Dor, secreção ou sangramento anal após exposição retal.
- Dor de garganta persistente após sexo oral sem proteção.
Para entender melhor transmissão, sintomas e formas de prevenção, veja também o conteúdo sobre gonorreia.

Como usar a novidade com segurança
As novas opções orais representam um avanço, mas não substituem o diagnóstico correto. O ideal é confirmar a infecção com exames, tratar parceiros recentes e repetir a avaliação quando o médico orientar, especialmente se os sintomas persistirem.
Também é importante lembrar que tratar gonorreia não protege contra uma nova infecção. O uso de preservativo, testagem regular para ISTs e acompanhamento em caso de exposição de risco continuam sendo medidas essenciais para reduzir transmissão e complicações, como doença inflamatória pélvica e infertilidade.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









