A esteatose avançada nem sempre melhora apenas com dieta, perda de peso e exercício, embora essas medidas continuem essenciais. Com o resmetirom, a MASH, forma inflamatória da gordura no fígado associada a risco de fibrose, entrou em uma nova fase: a de tratamentos direcionados ao metabolismo hepático.
Por que a MASH é mais grave
A MASH, antes chamada de NASH, acontece quando o acúmulo de gordura no fígado vem acompanhado de inflamação e lesão nas células hepáticas. Com o tempo, esse processo pode evoluir para fibrose, cirrose, insuficiência hepática e maior risco cardiovascular.
O problema é que muitas pessoas passam anos sem sintomas. Quando exames mostram enzimas alteradas, gordura no ultrassom ou sinais de fibrose, a doença pode já estar em fase mais avançada.
O que o resmetirom mudou
O resmetirom é um medicamento oral que atua como agonista seletivo do receptor beta do hormônio tireoidiano no fígado. Esse mecanismo busca melhorar o metabolismo de gordura dentro do órgão, reduzindo parte da agressão que alimenta a MASH.
Em 2024, a FDA aprovou o resmetirom, vendido como Rezdiffra, para adultos com MASH não cirrótica e fibrose moderada a avançada, em conjunto com dieta e exercício. Essa foi uma mudança importante porque, até então, o tratamento dependia principalmente de medidas de estilo de vida e controle metabólico.

O que o estudo científico MAESTRO-NASH mostrou
Segundo o ensaio clínico randomizado de fase 3 A Phase 3, Randomized, Controlled Trial of Resmetirom in NASH with Liver Fibrosis, publicado no The New England Journal of Medicine, o resmetirom foi avaliado em pessoas com NASH e fibrose hepática.
O estudo mostrou que uma parcela maior dos participantes tratados apresentou resolução da esteato-hepatite sem piora da fibrose ou melhora da fibrose sem piora da doença, em comparação ao placebo. Ainda assim, o acompanhamento médico segue essencial, pois a resposta varia e a segurança precisa ser monitorada.
Quem pode precisar de atenção
A MASH costuma estar ligada a fatores metabólicos que também afetam coração, rins e pâncreas. Por isso, o risco não deve ser avaliado apenas pelo peso ou pela presença de gordura no fígado.
- Diabetes tipo 2 ou resistência à insulina.
- Obesidade abdominal ou ganho de peso progressivo.
- Triglicerídeos altos, colesterol alterado ou hipertensão.
- Exames sugerindo fibrose, como elastografia alterada.
- Histórico familiar de doença hepática ou cirrose sem causa clara.

Tratamento continua sendo combinado
Mesmo com a chegada do resmetirom, dieta e exercício não perderam importância. O medicamento não é indicado para qualquer esteatose simples e não substitui a investigação do grau de fibrose, o controle do diabetes e a redução de álcool quando necessário.
- Manter perda de peso gradual quando houver excesso de peso.
- Priorizar alimentação com fibras, proteínas magras e menos ultraprocessados.
- Controlar glicose, pressão, colesterol e triglicerídeos.
- Evitar automedicação e suplementos sem orientação.
- Acompanhar a evolução da esteatose hepática com exames indicados pelo médico.
A nova fase da MASH não significa abandonar o cuidado diário, mas somar estratégias para quem tem doença mais avançada. O resmetirom abre uma possibilidade específica para pacientes selecionados, enquanto o tratamento de base continua sendo metabólico, individualizado e acompanhado de perto.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









