Ter um sonho agitado de vez em quando é comum, mas chutar, socar, gritar ou cair da cama durante o sono de forma repetida pode indicar um distúrbio específico do sono REM. Em alguns casos, esse comportamento aparece anos antes de tremor, rigidez ou lentidão, sinais clássicos da doença de Parkinson.
Por que o corpo se mexe no sonho
Durante o sono REM, fase em que os sonhos são mais vívidos, o corpo normalmente fica com os músculos “desligados” para evitar movimentos. No distúrbio comportamental do sono REM, essa proteção falha e a pessoa pode encenar o sonho.
Isso pode acontecer com gritos, socos, chutes, movimentos bruscos ou queda da cama. O episódio costuma ser relatado por quem dorme ao lado, porque a pessoa nem sempre percebe a intensidade do que fez durante a noite.

O que diz o estudo científico
Segundo a revisão sistemática Distúrbio comportamental do sono REM em pacientes com doença de Parkinson, publicada na Revista Brasileira de Neurologia e Psiquiatria, o distúrbio comportamental do sono REM aparece como possível achado prodrômico da doença de Parkinson.
A revisão analisou estudos observacionais de coorte e caso-controle e apontou que esse distúrbio pode surgir antes dos sintomas motores. Também foi associado a pior prognóstico em pacientes com Parkinson, incluindo alterações cognitivas, apatia, depressão e manifestações motoras mais importantes.
Sinais que não devem ser ignorados
O alerta aumenta quando os episódios são frequentes, violentos ou causam risco para a pessoa ou para quem dorme ao lado. Nem todo sonho agitado indica Parkinson, mas alguns sinais merecem investigação.
- Chutar, socar ou empurrar durante o sono;
- Gritar, falar alto ou xingar enquanto sonha;
- Cair da cama ou se machucar à noite;
- Machucar o parceiro sem perceber;
- Lembrar de sonhos intensos de fuga, luta ou perseguição.
Quando pensar em Parkinson
O distúrbio comportamental do sono REM pode fazer parte de um período chamado fase prodrômica, quando alterações não motoras aparecem antes do diagnóstico. Outros sinais também podem reforçar a necessidade de avaliação neurológica.
- Perda ou redução do olfato;
- Constipação intestinal persistente;
- Tontura ao levantar;
- Sonolência diurna ou sono fragmentado;
- Rigidez, lentidão ou tremor em repouso.

Como investigar com segurança
A avaliação costuma envolver consulta com neurologista ou especialista em sono. O exame mais usado para confirmar o distúrbio é a polissonografia, que registra atividade cerebral, respiração e movimentos musculares durante a noite.
Também é importante revisar remédios, consumo de álcool, apneia do sono e outros fatores que podem piorar movimentos noturnos. Para entender melhor sintomas e cuidados, veja também o conteúdo sobre doença de Parkinson. O objetivo é investigar cedo, reduzir riscos de queda e acompanhar possíveis sinais neurológicos ao longo do tempo.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.








