Durante décadas, o ovo foi tratado como inimigo do coração, mas a ciência atual conta uma história bem diferente. Para a maioria das pessoas, incluindo aquelas com colesterol elevado, o consumo moderado de ovos não está associado ao aumento do risco cardiovascular, e o que realmente eleva o colesterol ruim no sangue são as gorduras saturadas e trans presentes em frituras, embutidos e ultraprocessados. Entender essa distinção pode mudar a forma como você enxerga sua alimentação e sua saúde.
Por que o ovo foi considerado vilão do colesterol por tanto tempo?
A gema do ovo contém cerca de 185 mg de colesterol por unidade, um valor que, décadas atrás, levou especialistas a recomendar sua restrição com base na crença de que o colesterol alimentar elevava diretamente o colesterol no sangue. Com o tempo, pesquisas mais rigorosas mostraram que o fígado produz a maior parte do colesterol do organismo e ajusta essa produção conforme a ingestão alimentar, tornando o impacto do colesterol dos alimentos muito menor do que se imaginava.
O que desregula esse mecanismo de forma mais eficaz são as gorduras saturadas e trans, não o colesterol presente naturalmente em alimentos como o ovo. A confusão persistiu porque esses nutrientes frequentemente coexistem nos mesmos padrões alimentares.

O que um grande estudo científico descobriu sobre ovos e doenças do coração
Uma das pesquisas mais abrangentes sobre o tema foi a revisão sistemática e meta-análise Consumo de ovos e risco de doença cardiovascular: três grandes estudos de coorte prospectivos nos EUA, revisão sistemática e metanálise atualizada, publicada no periódico BMJ em março de 2020 e conduzida por pesquisadores da Escola de Saúde Pública de Harvard. O estudo acompanhou mais de 1,7 milhão de participantes em três grandes coortes norte-americanas, com seguimento de até 32 anos. Os resultados mostraram que o consumo de até um ovo por dia não foi associado ao aumento do risco de doença cardiovascular, infarto ou acidente vascular cerebral em adultos saudáveis. A meta-análise incluída no estudo confirmou esse achado de forma consistente em diferentes populações ao redor do mundo.
O que realmente eleva o colesterol ruim na alimentação?
Enquanto o ovo foi injustamente responsabilizado, outros alimentos exercem impacto muito maior sobre os níveis de LDL, o chamado colesterol ruim. Veja o que a ciência aponta como principais vilões reais:

Como o ovo pode ser incluído com segurança por quem tem colesterol alto?
O modo de preparo e o contexto alimentar em que o ovo é consumido fazem diferença significativa. Ovos cozidos, mexidos sem gordura excessiva ou em omeletes com legumes são opções mais seguras do que os preparados com manteiga, bacon ou acompanhados de alimentos ricos em gordura saturada. O problema muitas vezes não é o ovo em si, mas o que é servido ao lado dele.
Pessoas com condições específicas como diabetes, hipercolesterolemia familiar ou histórico de doenças cardiovasculares podem precisar de orientações mais individualizadas sobre a quantidade de ovos indicada por semana. Nesses casos, a avaliação com um médico ou nutricionista é essencial para definir o que é mais seguro para cada situação.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Ele não substitui a avaliação, o diagnóstico ou a orientação de um médico ou nutricionista. Em caso de dúvidas sobre seu colesterol ou alimentação, consulte sempre um profissional de saúde habilitado.









