Praticar exercício aeróbico, como caminhada rápida, natação ou pedalada, é a estratégia mais consistente para reduzir a pressão arterial ao longo das 24 horas do dia em pessoas com hipertensão. Combinar essa modalidade com treinamento de força ou apostar em sessões de alta intensidade por intervalos, conhecidas como HIIT, também produz quedas relevantes nos números da pressão, inclusive durante o sono. A descoberta vem de uma análise robusta conduzida por pesquisadores brasileiros e muda a forma de pensar a atividade física como tratamento.
O que a ciência diz sobre exercício e hipertensão?
A hipertensão é o principal fator de risco cardiovascular do mundo e atinge mais de 1 bilhão de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde. Quando não está controlada, aumenta o risco de infarto, derrame e doenças renais.
O exercício físico regular já era reconhecido como aliado no controle da pressão, mas faltava clareza sobre qual modalidade traz os melhores resultados quando a pressão é medida fora do consultório, ao longo do dia inteiro.
Estudo brasileiro analisa oito tipos de atividade física para hipertensão
Para responder a essa dúvida com mais precisão, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul realizaram uma ampla análise de dados disponíveis na literatura científica. O trabalho foi publicado em maio de 2026 e reúne as evidências mais atualizadas sobre o tema.
Segundo a revisão sistemática com metanálise em rede intitulada “Efeitos de diferentes intensidades de treinamento na pressão arterial de 24 horas em indivíduos hipertensos”, publicada no British Journal of Sports Medicine, foram analisados 31 ensaios clínicos randomizados com 1.345 adultos hipertensos. O grupo comparou oito modalidades, entre elas aeróbico contínuo, HIIT, musculação, pilates, ioga, exercícios isométricos e esportes recreativos.

Quais modalidades reduzem mais a pressão arterial?
Os pesquisadores usaram a monitorização ambulatorial da pressão arterial, conhecida como MAPA, um método que mede a pressão a cada 15 ou 30 minutos durante o dia todo. Esse exame é mais preciso para prever risco cardiovascular do que medições isoladas no consultório.
Veja as modalidades com maior impacto na pressão sistólica (o número mais alto) ao longo de 24 horas:
- Treinamento combinado (aeróbico mais musculação): redução de 6,18 mmHg
- HIIT (alta intensidade por intervalos): redução de 5,71 mmHg
- Exercício aeróbico contínuo: redução de 4,73 mmHg
Já para a pressão diastólica (o número mais baixo), os destaques foram o HIIT, com queda de 4,64 mmHg, e o pilates, com 4,18 mmHg, seguidos pelo treinamento combinado e pelo aeróbico tradicional.
Como incluir o exercício na rotina com segurança?
A escolha da atividade deve respeitar a condição física, a idade e eventuais doenças associadas. Antes de começar, é importante passar por uma avaliação médica e, sempre que possível, contar com a orientação de um profissional de educação física.
Algumas recomendações práticas para quem deseja usar o movimento como aliado contra a hipertensão:

O que ficou de fora do efeito esperado?
Nem todas as modalidades mostraram resultados estatisticamente significativos na medição ambulatorial. O treinamento isolado com pesas e o exercício isométrico, como apertar uma bola ou segurar contrações musculares sem movimento, não apresentaram quedas relevantes na pressão de 24 horas, ainda que estudos anteriores tenham sugerido benefícios em medições pontuais.
Os autores também pediram cautela com ioga, pilates e esportes recreativos, já que os estudos disponíveis ainda têm amostras pequenas. A qualidade da evidência foi classificada como baixa ou muito baixa em várias comparações, o que reforça a necessidade de novas pesquisas para confirmar esses achados.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento conduzido por um profissional de saúde. Consulte sempre um médico de confiança antes de iniciar qualquer programa de atividade física, especialmente em casos de hipertensão ou outras condições cardiovasculares.









