Entre todos os óleos vegetais, o azeite de oliva extravirgem se destaca pelos efeitos comprovados sobre a saúde cardiovascular e a função cognitiva. Ele contém oleocanthal, um composto com ação anti-inflamatória semelhante à do ibuprofeno, além de polifenóis que reduzem a oxidação do colesterol LDL nos vasos sanguíneos. Estudos do ensaio PREDIMED associam o consumo regular a uma menor incidência de eventos cardiovasculares e a um menor acúmulo de proteínas beta-amiloide ligadas à doença de Alzheimer em adultos acompanhados por mais de cinco anos.
Por que o azeite extravirgem é diferente dos outros óleos vegetais?
O azeite extravirgem é obtido pela prensagem a frio das azeitonas, sem uso de calor elevado ou solventes químicos. Esse processo preserva substâncias bioativas que se perdem nos óleos refinados, como polifenóis, vitamina E e oleocanthal.
Sua composição é dominada pelo ácido oleico, uma gordura monoinsaturada que ajuda a reduzir o colesterol LDL sem diminuir o HDL. A acidez igual ou inferior a 0,8% é um indicador-chave de qualidade e está sempre indicada no rótulo.
Como o azeite extravirgem protege o sistema cardiovascular?
A ação cardioprotetora do azeite extravirgem é resultado da combinação entre o ácido oleico e os compostos antioxidantes. Esses componentes atuam diretamente nas paredes das artérias, prevenindo processos inflamatórios e oxidativos.
Os principais mecanismos cardiovasculares do azeite extravirgem incluem:

Esses efeitos são ainda mais potentes quando o azeite faz parte de um padrão alimentar equilibrado, como a dieta mediterrânea, reconhecida por sua relação com a longevidade.
O que o ensaio PREDIMED comprova sobre o azeite extravirgem?
A evidência mais robusta sobre os benefícios do azeite extravirgem vem de um dos maiores ensaios clínicos sobre alimentação já realizados. Segundo o estudo Primary Prevention of Cardiovascular Disease with a Mediterranean Diet Supplemented with Extra-Virgin Olive Oil or Nuts, publicado no The New England Journal of Medicine em 2018, pesquisadores acompanharam mais de 7.400 adultos com alto risco cardiovascular durante cerca de cinco anos.
Os participantes que seguiram uma dieta mediterrânea enriquecida com azeite extravirgem apresentaram redução de aproximadamente 30% no risco de infarto, acidente vascular cerebral e morte cardiovascular em comparação ao grupo de dieta com baixo teor de gordura. Os autores concluíram que a qualidade da gordura consumida é mais importante do que a simples restrição calórica.

Quais são os efeitos do azeite extravirgem sobre o cérebro?
O cérebro é altamente sensível ao estresse oxidativo e à inflamação crônica, dois fatores ligados ao declínio cognitivo. Os polifenóis do azeite extravirgem, em especial o oleocanthal e o hidroxitirosol, têm ação neuroprotetora documentada em estudos clínicos.
Pesquisas recentes sugerem que o oleocanthal pode favorecer a remoção das proteínas beta-amiloide do tecido cerebral, fragmentos diretamente associados à doença de Alzheimer e a outras formas de demência. O consumo regular também está associado à preservação da memória e da velocidade de raciocínio em adultos mais velhos.
Qual a quantidade ideal e como consumir o azeite extravirgem?
A maioria dos estudos científicos associa os benefícios do azeite extravirgem ao consumo de cerca de duas colheres de sopa por dia, o equivalente a 20 a 30 ml. Essa quantidade fornece uma boa concentração de polifenóis sem extrapolar o valor calórico da dieta.
Algumas recomendações práticas para incluir o azeite no dia a dia são:
- Usar o azeite cru, regando saladas, legumes cozidos e sopas já prontas.
- Em refogados, manter o fogo médio para preservar os compostos antioxidantes.
- Escolher azeites com acidez igual ou inferior a 0,8% em embalagens de vidro escuro.
- Substituir outras gorduras pelo azeite, em vez de adicioná-lo à alimentação habitual.
- Verificar a data de envase e priorizar produtos mais frescos, conforme as dicas para identificar um bom azeite.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Em caso de doença cardiovascular ou alterações cognitivas, consulte um médico cardiologista, neurologista ou nutricionista de confiança.









