Aquele apito constante, chiado ou zunido que aparece sem origem externa pode parecer apenas um incômodo passageiro, mas afeta entre 15% e 20% da população mundial e altera a qualidade do sono, da concentração e do bem-estar. Conhecido na medicina como tinnitus ou acúfeno, o zumbido raramente é uma doença em si, mas sim um sintoma que indica algum desequilíbrio no organismo. Identificar a causa correta é o primeiro passo para escolher o tratamento mais eficaz.
O que são acúfenos?
Os acúfenos, ou zumbidos, são percepções auditivas geradas internamente pelo cérebro, sem que exista uma fonte sonora externa. Podem se manifestar como apito, chiado, cachoeira, pulsação ou zunido, em um ou nos dois ouvidos, com intensidade variável ao longo do dia.
O som geralmente surge quando há alguma alteração nas células ciliadas do ouvido interno ou nas vias auditivas que levam o estímulo ao cérebro. Diante da ausência de sinais externos, o sistema nervoso central acaba interpretando atividades neurais anormais como um som contínuo.
Quais são as causas mais comuns?
Embora muitas pessoas associem o zumbido apenas ao envelhecimento, ele pode ter origens variadas e, em muitos casos, mais de um fator contribui simultaneamente. A investigação detalhada com um especialista é fundamental para identificar a causa real.
Entre as principais causas estão:

O que diz um estudo científico sobre o tratamento?
O manejo do zumbido evoluiu nas últimas décadas com a inclusão de abordagens psicológicas que ajudam o cérebro a se habituar ao som. Embora não exista uma cura definitiva, terapias bem fundamentadas reduzem significativamente o impacto do sintoma na rotina dos pacientes.
Segundo a meta-análise A systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials of cognitive-behavioral therapy for tinnitus distress, publicada na Clinical Psychology Review, a terapia cognitivo-comportamental foi eficaz na redução do desconforto associado ao zumbido em adultos, com efeitos mantidos ao longo do tempo, configurando-se como uma das intervenções com melhor base de evidências.

Como o zumbido pode ser tratado?
O tratamento do zumbido depende diretamente da causa identificada e, na maioria dos casos, combina diferentes estratégias para reduzir a percepção do som e melhorar a qualidade de vida. Conforme orientações da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, a abordagem deve ser individualizada após avaliação detalhada.
As principais opções terapêuticas incluem aparelhos auditivos para casos com perda auditiva associada, terapia sonora com geradores de ruído branco, terapia cognitivo-comportamental, controle das doenças de base como hipertensão e diabetes, e medicamentos vasodilatadores ou ansiolíticos quando indicados pelo médico. O tratamento para zumbido no ouvido também envolve mudanças no estilo de vida, como redução do consumo de cafeína, álcool e sal.
Quando procurar um otorrinolaringologista?
Todo zumbido persistente merece avaliação profissional, principalmente quando interfere no sono, na concentração ou no humor. O otorrinolaringologista é o especialista capacitado para investigar a origem do sintoma e definir a conduta mais adequada para cada caso.
Sinais que indicam urgência na consulta incluem:
- Zumbido que surge de forma súbita em apenas um ouvido
- Perda auditiva associada ao aparecimento do som
- Tontura, vertigem ou alterações de equilíbrio
- Sensação de pressão ou plenitude no ouvido
- Zumbido pulsátil que acompanha o ritmo cardíaco
- Dor de ouvido, secreção ou febre
- Comprometimento significativo do sono e da rotina
O diagnóstico precoce aumenta as chances de identificar causas tratáveis e prevenir a cronificação do problema, especialmente em situações como surdez súbita, que exige intervenção rápida para preservar a audição.
As informações apresentadas neste artigo têm caráter exclusivamente informativo e não substituem a consulta, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado.









