A vitamina K2 ajuda a direcionar o cálcio para onde ele deve estar, como ossos e dentes, e a reduzir seu acúmulo em locais inadequados, como as artérias. Quando há deficiência ou baixa ativação dessa vitamina, proteínas que freiam a calcificação vascular podem funcionar pior, favorecendo rigidez arterial e maior risco cardiovascular.
Como a vitamina K2 age no cálcio
A vitamina K2 participa da ativação de proteínas dependentes de vitamina K. Duas das mais importantes são a osteocalcina, ligada aos ossos, e a proteína Matrix Gla, conhecida como MGP, que ajuda a inibir a deposição de cálcio nos vasos.
Quando a K2 está baixa, parte dessas proteínas pode ficar inativa. Assim, o cálcio pode deixar de ser bem aproveitado no tecido ósseo e se acumular em áreas onde não deveria, como parede das artérias e válvulas cardíacas.
Por que as artérias calcificam
A calcificação arterial não acontece apenas por excesso de cálcio na dieta. Ela é um processo complexo, associado a inflamação, envelhecimento, diabetes, doença renal, pressão alta, tabagismo e alterações no metabolismo mineral.
Alguns fatores aumentam esse risco e merecem atenção:
- Deficiência de vitamina K ou baixa ingestão de alimentos fontes;
- Uso de anticoagulantes que interferem na vitamina K;
- Doença renal crônica e alterações de fósforo e cálcio;
- Osteoporose, diabetes e histórico cardiovascular.

O que mostra um estudo científico
Segundo a revisão Vitamin K Dependent Proteins and the Role of Vitamin K2 in the Modulation of Vascular Calcification, publicada na revista Oman Medical Journal, a vitamina K2 tem papel relevante na modulação da calcificação vascular por meio da ativação de proteínas como a MGP.
A revisão explica que a MGP ativada atua como uma espécie de “freio” contra o depósito de cálcio nas artérias. No entanto, os autores também destacam que a suplementação de K2 ainda precisa ser avaliada em mais estudos clínicos para definir doses, indicações e impacto real em desfechos cardiovasculares.
Fontes de vitamina K2
A vitamina K2 aparece principalmente em alimentos fermentados e alguns produtos de origem animal. A quantidade pode variar bastante conforme o tipo de alimento, fermentação e dieta dos animais.
- Natto, alimento fermentado de soja, é uma das fontes mais concentradas;
- Queijos maturados e alguns laticínios fermentados;
- Gema de ovo, fígado e carnes em menor quantidade;
- Alimentos ricos em vitamina K1, como folhas verdes, também ajudam no metabolismo da vitamina K.

Quando ter cautela com suplementos
A suplementação de vitamina K2 não deve ser iniciada sem orientação, especialmente por pessoas que usam anticoagulantes, como varfarina, ou que têm doença renal, histórico de trombose, calcificações já diagnosticadas ou uso de cálcio e vitamina D em altas doses. Veja também o conteúdo sobre vitamina K.
O mais seguro é avaliar dieta, exames, medicamentos e risco cardiovascular com um profissional antes de suplementar. A K2 pode ser importante, mas não substitui controle da pressão, atividade física, alimentação equilibrada e acompanhamento médico. Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista.









