A glicina é um aminoácido que participa de funções do sistema nervoso e vem sendo estudado por seu possível efeito na qualidade do sono. Uma das explicações é que ela ajuda a reduzir a temperatura central do corpo, um sinal fisiológico importante para o cérebro iniciar o sono e favorecer fases mais restauradoras durante a noite.
Como a temperatura influencia o sono
Para dormir bem, o corpo precisa entrar em um estado de menor alerta. Parte desse processo envolve a queda gradual da temperatura interna, que acontece quando os vasos da pele se dilatam e ajudam a dissipar calor.
Quando essa redução ocorre de forma eficiente, o cérebro interpreta que é hora de repousar. Por isso, ambientes muito quentes, exercícios intensos tarde da noite ou refeições pesadas podem atrasar o sono em algumas pessoas.
Como a glicina age no corpo
A glicina parece atuar em regiões do sistema nervoso ligadas ao controle da temperatura corporal e ao relaxamento. Ela pode favorecer a vasodilatação periférica, permitindo que o corpo perca calor de forma mais rápida.
Na prática, esse efeito pode ajudar a encurtar o tempo até adormecer e melhorar a sensação de sono reparador. Os efeitos mais estudados incluem:
- Redução da temperatura central antes do sono;
- Maior sensação de relaxamento noturno;
- Melhora subjetiva da qualidade do sono;
- Menor sonolência e fadiga no dia seguinte;
- Possível apoio às fases mais profundas do sono.

O que diz um estudo científico
Segundo a revisão Sleep-promoting and hypothermic effects of glycine are mediated by NMDA receptors in the suprachiasmatic nucleus, publicada na revista Neuropsychopharmacology, a glicina pode promover sono e reduzir a temperatura corporal por mecanismos ligados a receptores NMDA no núcleo supraquiasmático, região envolvida no ritmo circadiano.
Esse estudo ajuda a explicar por que a glicina ganhou atenção entre pesquisadores do sono. O achado sugere que seu efeito não depende apenas de relaxamento subjetivo, mas também de uma via biológica relacionada ao relógio interno e à termorregulação. O artigo pode ser consultado no PubMed.
Fontes naturais de glicina
A glicina é produzida pelo organismo, mas também pode ser obtida pela alimentação. Ela está presente principalmente em alimentos ricos em proteínas e em tecidos que contêm colágeno.
Algumas fontes alimentares incluem:
- Gelatina e colágeno hidrolisado;
- Carnes, frango e peixes;
- Ovos e laticínios;
- Feijões, lentilha e soja;
- Sementes, castanhas e alguns grãos integrais.

Cuidados antes de usar
Apesar de ser considerada segura em quantidades alimentares, a suplementação de glicina deve ser individualizada, principalmente em gestantes, pessoas com doenças renais, uso de medicamentos psiquiátricos ou distúrbios importantes do sono.
Para melhorar o sono, a glicina deve ser vista como apoio, não como solução isolada. Rotina regular, quarto escuro, menor exposição a telas à noite e manejo do estresse continuam essenciais. Veja também estratégias para melhorar a higiene do sono.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, nutricionista ou especialista em sono.









