Na maioria dos casos, não é necessário eliminar o ovo da dieta de quem tem colesterol alto. Durante décadas, o alimento foi visto como vilão por conter colesterol na gema, mas estudos recentes mostram que o consumo moderado, de até um ovo por dia, não está associado ao aumento do risco cardiovascular na maioria das pessoas saudáveis. O que realmente eleva o colesterol no sangue são as gorduras saturadas e trans, mais presentes em frituras, embutidos e ultraprocessados. Entenda o que diz a ciência.
Por que o ovo foi considerado um vilão do colesterol?
A gema do ovo contém cerca de 180 a 200 mg de colesterol por unidade, valor considerado alto diante das antigas recomendações, que limitavam a ingestão diária em até 300 mg. Por esse motivo, durante anos, o alimento foi associado a maior risco de doenças cardiovasculares.
Hoje, sabe-se que o colesterol presente nos alimentos tem impacto menor no sangue do que se imaginava, já que o fígado produz a maior parte dessa substância. Para entender melhor essa relação, vale conhecer o que é o colesterol alto e como ele se desenvolve.
O que realmente eleva o colesterol no sangue?
Ao contrário do que se pensava, os grandes responsáveis pelo aumento do colesterol ruim são as gorduras saturadas e trans, além do excesso de açúcar e de alimentos industrializados. Esses componentes interferem diretamente no metabolismo lipídico do fígado.
Entre os principais fatores que realmente elevam o LDL estão:

Ajustar a qualidade da alimentação e incluir mais alimentos para baixar o colesterol costuma ser mais eficaz do que apenas eliminar o ovo da rotina.
Quais são os benefícios de incluir o ovo na dieta?
O ovo é uma das fontes mais completas de nutrientes da alimentação. Fornece proteína de alto valor biológico, vitaminas A, D, E e do complexo B, além de minerais como ferro, selênio e colina, importantes para cérebro, músculos e metabolismo.
Consumido com moderação e preparado de forma saudável, como cozido, mexido em pouca gordura ou poché, o ovo também aumenta a saciedade, o que ajuda no controle do peso, fator diretamente ligado à saúde cardiovascular.

O que mostra uma meta-análise científica sobre o tema?
A relação entre ovo e saúde do coração já foi amplamente investigada, e os dados acumulados ajudam a esclarecer até que ponto o alimento oferece ou não risco para quem tem colesterol alto.
Segundo a meta-análise Egg consumption and risk of cardiovascular disease, publicada no BMJ em 2020, o consumo moderado de até um ovo por dia não foi associado ao aumento do risco de doença cardiovascular, infarto ou acidente vascular cerebral na população em geral. A análise reuniu dados de mais de 1,7 milhão de participantes, a partir de três grandes coortes norte-americanas e de uma revisão sistemática de estudos internacionais, reforçando que o ovo pode fazer parte de uma alimentação saudável.
Quando o consumo de ovo deve ser limitado?
Apesar das evidências favoráveis, algumas situações exigem cautela. Pessoas com hipercolesterolemia familiar, diabetes mal controlado ou risco cardiovascular elevado podem ter maior sensibilidade ao colesterol dos alimentos e devem seguir orientação individualizada.
Também é importante observar o modo de preparo, já que ovos fritos em excesso de óleo, acompanhados de bacon ou embutidos, comprometem os benefícios nutricionais. Vale conhecer melhor os alimentos ricos em colesterol para montar uma rotina alimentar equilibrada.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um profissional de saúde. Consulte sempre um médico ou nutricionista antes de alterar a dieta, especialmente em caso de colesterol alto ou outras condições cardiovasculares.









