A enxaqueca é frequentemente atribuída ao estresse, mas a neurologia clínica mostra que o desequilíbrio de magnésio tem papel central no surgimento das crises. Esse mineral regula a excitabilidade dos neurônios, controla a dilatação dos vasos cerebrais e modula neurotransmissores ligados à dor. Quando os níveis ficam baixos, o cérebro entra em um estado de hiperexcitabilidade que favorece episódios mais frequentes e intensos.
Como o magnésio atua no cérebro?
O magnésio bloqueia os receptores NMDA, responsáveis por disparar impulsos elétricos excitatórios entre os neurônios. Ao manter esses receptores em equilíbrio, o mineral ajuda o cérebro a funcionar de modo mais estável e menos reativo a estímulos externos.
Além disso, ele participa da liberação controlada de serotonina e influencia o tônus dos vasos cerebrais. Esse conjunto de funções explica por que a deficiência está associada a alterações vasculares e à onda de despolarização cortical, mecanismo envolvido em muitas crises de enxaqueca.
Por que pessoas com enxaqueca apresentam deficiência?
Estudos neurológicos indicam que cerca de metade dos pacientes com enxaqueca crônica apresentam níveis reduzidos de magnésio durante as crises. A deficiência pode surgir por ingestão alimentar insuficiente, perdas gastrointestinais, uso de diuréticos ou alterações metabólicas da própria doença.
Outro ponto relevante é que a dosagem sérica nem sempre revela a deficiência, já que a maior parte do magnésio está dentro das células. Por isso, a avaliação clínica costuma considerar o quadro global do paciente e a resposta à reposição do mineral, orientando inclusive a investigação de causas frequentes de dor de cabeça recorrente.

O que mostra a ciência sobre magnésio e enxaqueca?
A relação entre o mineral e a atividade neuronal é amplamente investigada na neurologia. Segundo a revisão Magnesium and Migraine, publicada na revista Nutrients em 2025, evidências de estudos observacionais e ensaios clínicos randomizados sustentam que a suplementação de magnésio pode ajudar no alívio das crises agudas e na profilaxia da enxaqueca. Os autores destacam mecanismos como a modulação de receptores NMDA, o controle vascular e a redução da depressão cortical alastrante, fenômeno elétrico envolvido nas auras.
Qual a diferença entre crises por estresse e por deficiência?
Embora o estresse seja um gatilho conhecido, ele não explica todas as crises. Identificar o padrão ajuda a direcionar o tratamento e a investigação clínica, inclusive para diferenciar uma crise de enxaqueca de outras formas de cefaleia.
As principais diferenças clínicas entre os dois padrões costumam envolver:

Quais hábitos ajudam a equilibrar o magnésio?
Antes de recorrer à suplementação, vale revisar a alimentação, pois dietas ultraprocessadas costumam ser pobres em magnésio. A ingestão regular de fontes naturais sustenta os estoques do mineral e contribui para a estabilidade neuronal.
Entre os hábitos mais recomendados pela literatura clínica para quem busca equilibrar o magnésio e reduzir fatores de risco para enxaqueca estão:
- Consumir regularmente alimentos ricos em magnésio, como sementes, folhas verde-escuras, abacate e oleaginosas.
- Manter hidratação adequada e evitar o excesso de cafeína e álcool.
- Preservar regularidade do sono e técnicas de manejo do estresse.
- Evitar suplementação por conta própria, sempre com avaliação médica ou nutricional.
Este conteúdo é meramente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento de um médico ou profissional de saúde qualificado.









