Sentir uma tensão que só alivia ao puxar um fio de cabelo é a realidade de quem convive com tricotilomania. Esse transtorno vai muito além de uma simples mania e pode causar falhas visíveis no couro cabeludo, vergonha e isolamento social. Reconhecer os sinais e entender que existe tratamento é essencial para que a pessoa possa retomar o controle e cuidar da saúde emocional.
O que é a tricotilomania?
A tricotilomania é um transtorno psiquiátrico caracterizado pelo impulso recorrente de arrancar fios do próprio corpo, mais comumente do couro cabeludo, sobrancelhas e cílios. A pessoa tenta parar, mas não consegue, o que gera sofrimento significativo.
O transtorno faz parte do espectro obsessivo-compulsivo no DSM-5 e costuma surgir na adolescência, podendo se prolongar por anos se não houver acompanhamento adequado.
Quais são os principais sinais do transtorno?
Os sintomas não se resumem ao ato de arrancar o cabelo. Envolvem todo um conjunto de sensações e comportamentos ligados à tensão e ao alívio momentâneo, que se repetem em ciclos difíceis de interromper.

Em alguns casos, o transtorno vem acompanhado de tricofagia, que é o hábito de ingerir os fios arrancados e pode levar à síndrome de Rapunzel, uma complicação gastrointestinal grave.
Quais gatilhos costumam estar envolvidos?
O ato de arrancar fios raramente aparece sem contexto. Geralmente está associado a momentos de estresse, ansiedade, tédio ou frustração, funcionando como uma tentativa de alívio emocional imediato.
Algumas pessoas arrancam os fios de forma automática, sem perceber, enquanto outras têm consciência do impulso e sentem forte angústia por não conseguir resistir. Ambos os padrões podem coexistir e variar ao longo da vida.
O que diz a ciência sobre o tratamento?
Pesquisadores avaliaram quais intervenções trazem melhores resultados para o transtorno. Segundo a meta-análise Pharmacological and behavioral treatment for trichotillomania, publicada na revista Depression and Anxiety, a terapia comportamental com treinamento de reversão de hábito apresentou grande benefício na redução dos sintomas, com base em 24 ensaios clínicos e 857 participantes.
Os autores destacam que essa abordagem reúne a maior base de evidências para tratar o transtorno, enquanto medicamentos como clomipramina e N-acetilcisteína também mostraram resultados positivos em ensaios controlados.

Como é feito o tratamento da tricotilomania?
O acompanhamento costuma envolver psicólogo e psiquiatra, com foco em reduzir o impulso, identificar gatilhos e substituir o comportamento por respostas mais saudáveis. A adesão ao tratamento é fundamental para a recuperação gradual.
- Psicoterapia, com destaque para a terapia cognitivo-comportamental e o treinamento de reversão de hábito
- Uso de medicamentos quando indicado pelo psiquiatra
- Estratégias para manter as mãos ocupadas, como bolinhas antiestresse
- Técnicas de relaxamento, respiração e atenção plena
- Apoio familiar e participação em grupos terapêuticos
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Em caso de impulso recorrente de arrancar cabelos ou sofrimento emocional associado, procure orientação psicológica ou psiquiátrica qualificada.









