A deficiência de selênio nem sempre é resultado de uma dieta pobre. Estudos em geoquímica nutricional mostram que o solo brasileiro apresenta grande variação na concentração desse mineral, o que reduz sua presença em alimentos cultivados no país e impacta diretamente a função tireoidiana e a imunidade, mesmo em pessoas com alimentação considerada equilibrada.
Por que o solo brasileiro influencia os níveis de selênio nos alimentos?
O selênio chega ao organismo humano por meio de plantas e animais que o absorvem do solo. Quando a concentração geoquímica é baixa ou pouco disponível, os alimentos cultivados carregam menos mineral, independentemente da variedade cultivada ou do manejo agrícola.
No Brasil, solos tropicais ácidos, intemperizados e ricos em óxidos de ferro e alumínio retêm o selênio em formas pouco absorvíveis pelas raízes. Essa característica geoquímica explica por que regiões do Cerrado, Caatinga e parte do Centro-Oeste apresentam produção agrícola com teores reduzidos, afetando o aporte dietético da população.
Quais funções do corpo dependem do selênio adequado?
O selênio é componente essencial das selenoproteínas, que regulam processos críticos na endocrinologia e na imunologia. Sua deficiência compromete reações enzimáticas indispensáveis para o equilíbrio hormonal e a defesa celular.
Entre as principais funções associadas a esse mineral, destacam-se:

Manter bons níveis é especialmente importante para pessoas com tireoidite de Hashimoto e outras condições autoimunes da tireoide, nas quais a disfunção enzimática se intensifica.
O que um estudo científico revela sobre o selênio nos solos do Brasil?
Pesquisadores brasileiros investigaram a variação geoquímica do mineral em diferentes regiões produtoras, com foco na castanha-do-pará, considerada a maior fonte natural de selênio do mundo. Os resultados expõem uma realidade pouco discutida sobre a nutrição da população.
Segundo o estudo Natural variation of selenium in Brazil nuts and soils from the Amazon region, publicado na revista Chemosphere, a concentração mediana de selênio na castanha-do-pará variou de 2,07 mg/kg no Mato Grosso a 68,15 mg/kg no Amazonas. Isso significa que uma única castanha pode fornecer apenas 11% da necessidade diária de selênio quando proveniente do Mato Grosso, enquanto o mesmo alimento cultivado no Amazonas ultrapassa 288% dessa mesma recomendação.

Quais sinais podem indicar deficiência de selênio no corpo?
A falta do mineral costuma se manifestar de forma discreta, mas os sintomas afetam a qualidade de vida e a saúde metabólica. Identificá-los ajuda a buscar investigação clínica precoce e ajustes na alimentação.
Entre os sinais mais comuns relatados na prática clínica, estão cansaço persistente, fraqueza muscular, queda de cabelo, unhas frágeis, maior propensão a infecções e alterações da função tireoidiana como hipotireoidismo subclínico. Em casos prolongados, a deficiência pode contribuir para o desenvolvimento de distúrbios cardiovasculares e ortopédicos, como descrito nas doenças de Keshan e Kashin-Beck. Conhecer os alimentos ricos em selênio é uma estratégia importante para prevenir esses quadros.
Como garantir aporte adequado de selênio no dia a dia?
A boa notícia é que é possível complementar a ingestão por meio de escolhas alimentares variadas, priorizando fontes comprovadamente ricas no mineral. A moderação é fundamental, já que o excesso também é prejudicial ao organismo.
Algumas recomendações práticas para manter níveis adequados incluem:
- Consumir uma a duas castanhas-do-pará por dia, preferencialmente de origem amazônica
- Incluir peixes, frutos do mar, ovos e carnes magras nas refeições semanais
- Variar as fontes com cereais integrais, sementes de girassol e cogumelos
- Evitar suplementação sem orientação profissional, devido ao risco de selenose
- Monitorar os níveis séricos quando houver sintomas sugestivos ou doenças da tireoide
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um médico ou nutricionista de confiança diante de qualquer sintoma ou dúvida sobre sua saúde.









