Eritroblastose fetal: o que é, causas e tratamento

Revisão médica: Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
maio 2021

A eritroblastose fetal, também conhecida como doença hemolítica do recém-nascido ou doença de Rhesus, é uma alteração que geralmente ocorre no bebê de uma segunda gestação, quando a grávida possui sangue Rh negativo e teve, na primeira gravidez, um bebê com sangue do tipo Rh positivo, sem ter realizado o tratamento com imunoglobulina.

Nestes casos, o corpo da mãe, na primeira gravidez, produz anticorpos que, durante a segunda gestação, começam a combater as células vermelhas do sangue do novo bebê, eliminando-as como se fossem uma infecção. Quando isso acontece, o bebê pode nascer com anemia grave, inchaços e aumento do fígado, por exemplo.

Para impedir estas complicações no bebê, a mulher deve fazer todas as consultas e exames de pré-natal, uma vez que é possível identificar o risco da eritroblastose fetal, iniciando-se o tratamento, que inclui uma injeção com imunoglobulinas para evitar o surgimento da doença no bebê. Saiba mais sobre o tratamento para evitar a eritroblastose fetal.

Possíveis causas

Os casos mais frequentes acontecem quando a mãe, que tem sangue do tipo Rh negativo, já teve uma gravidez anterior em que o bebê nasceu com sangue Rh positivo. Isso apenas pode acontecer quando o sangue do pai é Rh positivo também e, por isso, se a mãe for Rh negativo o obstetra pode pedir um exame de sangue do pai, de forma a avaliar o risco de a eritroblastose acontecer.

Além disso, e embora seja mais raro, esta alteração também pode se desenvolver quando a grávida recebeu uma transfusão de sangue do tipo Rh+, em qualquer altura da sua vida antes de ter engravidado. Sendo assim, é importante que o obstetra conheça bem todo o historial da gestante.

Como evitar a eritroblastose fetal

O tratamento para prevenir a eritroblastose fetal consiste na injeção de imunoglobulina anti-D, que pode ser feita:

  • Na 28ª semana de gravidez: especialmente quando o pai é Rh+ ou quando o primeiro filho nasceu com sangue do tipo Rh+ e não se fez a injeção durante a primeira gestação;
  • 3 dias após o parto: é feito após uma primeira gravidez em que o bebê nasce com sangue Rh+ e ajuda a evitar a formação de anticorpos que podem prejudicar uma futura gravidez.

Se não for feita qualquer injeção e o bebê tiver um grande risco de desenvolver eritroblastose fetal, o médico pode ainda tentar antecipar a data do parto, assim que os pulmões e coração do bebê estejam bem desenvolvidos.

Como identificar a eritroblastose fetal

Os sinais e sintomas da eritroblastose fetal apenas podem ser observados após o nascimento e, normalmente incluem anemia grave, pele amarelada e inchaço generalizado no bebê.

Quando não é tratado adequadamente, o bebê corre grande risco de vida, especialmente devido à anemia severa provocada pela doença. Porém, mesmo que sobreviva, podem surgir complicações graves, como retardo mental e lesões em várias partes do cérebro.

Por isso, o mais importante consiste em saber o risco de o bebê desenvolver eritroblastose fetal ainda durante a gravidez, fazendo todas as consultas de pré-natal para identificar o risco e iniciar o tratamento que ajuda a evitar a doença.

Como é feito o tratamento depois do parto

Caso a mãe não tenha feito o tratamento durante a gravidez e o bebê nasça com eritroblastose, o médico pode ainda indicar outro tipo de tratamento, que consiste em substituir o sangue do bebê por outro Rh negativo. Este processo pode ser repetido por várias semanas, até que todos os anticorpos da mãe tenham sido eliminados.

Após esse período de tratamento, o bebê acaba substituindo o sangue Rh negativo por Rh positivo, mas, nesse momento, já não existirá risco.

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Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em maio de 2021. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

  • GUYTON Arthur, HALL John. Tratado de fisiologia médica. 13º. Brasil: Elsevier, 2017. 479-480.
  • MARTIN, Richard J.; FANAROFF, Avroy A.; WALSH, Michele C.. Fanaroff & Martin: Medicina Neonatal e Perinatal. 10.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. 486-487; 1320.
Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.