Placenta: o que é, funções e possíveis alterações

Atualizado em novembro 2023

Placenta é um órgão materno-fetal, formado gradualmente durante o três primeiros meses da gestação, que tem como principal função fornecer nutrientes e oxigênio para o bebê, além de eliminar resíduos e gás carbônico, e produzir hormônios fundamentais para esse período.

Depois do nascimento do bebê, há a eliminação natural da placenta, o que pode ser auxiliado pelo obstetra para confirmar que não existem restos placentários dentro do útero, o que poderia causar complicações no pós-parto, como sangramento vaginal ou endometriose, por exemplo.

A placenta é fundamental para o desenvolvimento do bebê, no entanto, durante a gravidez, é possível que sofra algumas alterações que podem comprometer a gravidez. Por isso, é importante que a gestante realize todas as consultas do pré-natal para garantir que a sua saúde e a do bebê estão dentro do esperado e para que, caso seja necessário, o médico possa dar algumas orientações para evitar complicações.

Imagem ilustrativa número 3

Funções da placenta

As principais funções da placenta são:

1. Fornecer nutrientes e oxigênio para o bebê

A placenta é responsável pelas trocas materno-fetais durante a gestação, fornecendo nutrientes, água, eletrólitos e oxigênio para o bebê.

Esses nutrientes e oxigênio chegam até o bebê através do cordão umbilical, que fica conectado à placenta, permitindo o bom desenvolvimento do feto durante a gestação. 

2. Eliminar resíduos

Da mesma forma que a placenta fornece oxigênio e nutrientes ao bebê, ela também remove resíduos produzidos pelo feto, como gás carbônico, água, ureia, hormônios e outros resíduos.

3. Produzir hormônios

A placenta produz hormônios essenciais para a gestação, como a gonadotrofina coriônica humana, o HCG, que por sua vez estimula a produção de progesterona pelas células do corpo lúteo para manter a gravidez.

O HCG é um hormônio que tem importantes funções, como promover a formação de vasos sanguíneos na útero, bloquear a ação do sistema imunológico sobre as células da placenta, promove o crescimento uterino e evita contrações uterinas durante a gestação, por exemplo.

4. Fornecer proteção imunológica ao bebê

A placenta é capaz de metabolizar substâncias e proteger o bebê contra infecções.

Além disso, a placenta regula o sistema imunológico materno para evitar que o sistema imune ataque o bebê como se fosse estranho ao organismo.

5. Promover o ambiente saudável para o desenvolvimento do bebê

A placenta é responsável por liberar diversos hormônios para sustentar a gravidez e promover o desenvolvimento saudável do bebê.

Um desses hormônios é o fator de crescimento placentário, que promove adaptações cardiovasculares no corpo da gestante, e o desenvolvimento e maturidade do bebê.

Outro hormônio produzido é a somatomamotropina coriônica humana (HCS) que promove o desenvolvimento das glândulas mamárias da gestante para a futura amamentação, assim como diminui a sensibilidade à insulina, para que a glicose materna esteja mais disponível para o bebê.

A placenta é fundamental para o desenvolvimento do bebê, no entanto, durante a gestação, pode sofrer alterações, trazendo riscos e complicações para a mãe para o bebê.

Como a placenta é formada

A formação da placenta inicia-se após a implantação do embrião no útero, o que ocorre entre o 7º e o 12º dias após a fecundação, endo uma parte fetal, chamada vilosidades coriônicas, e uma parte materna, a decídua basal.

Durante todo o primeiro trimestre a placenta continua em formação e após esse período ocorre seu crescimento. 

Por volta das 16 semanas de gestação, a placenta e o bebê têm o mesmo tamanho, e no final da gravidez o bebê já está cerca de 6 vezes mais pesado que a placenta.

A placenta é eliminada no momento do parto, seja cesárea ou normal. No parto normal, a saída completa da placenta pode demorar de 30 minutos a 1 hora, enquanto que na cesárea, o médico retira a placenta da mesma forma que retirou o bebê.

Durante a retirada da placenta, seja de forma normal ou com auxílio médico, é comum sentir cólicas leves, como as do período menstrual, e isso acontece porque o útero está voltando ao tamanho anterior à gestação.

Alterações mais comuns da placenta

Algumas alterações que podem afetar a placenta são:

1. Placenta prévia

A placenta prévia, também chamada de placenta baixa, acontece quando a placenta desenvolve-se parcial ou totalmente na região inferior do útero, tampando o colo do útero, que é o local da passagem do bebê, podendo impedir o parto normal.

A placenta prévia é comum no início da gravidez e não é muito preocupante, pois com o crescimento do útero, ao longo da gravidez, é possível que a placenta seja deslocada para o local correto, permitindo o parto normal.

No entanto, quando a placenta prévia persiste até o terceiro trimestre de gestação, a cesariana pode ser necessária, pois nesse caso não é possível ter um parto normal. Essa alteração é mais frequente em mulheres que estão grávidas de gêmeos, que possuem cicatrizes uterinas de cirurgias anteriores, mais de 35 anos ou que já tiveram placenta prévia anteriormente.

A ocorrência de placenta baixa pode ser percebida por meio da ultrassonografia durante o pré-natal, em que o médico verifica a posição da placenta ao longo do desenvolvimento da gestação.

Caso seja confirmada a placenta prévia, é importante que a mulher procure atendimento médico sempre que apresentar sangramento vaginal, pois assim o obstetra poderá fazer o acompanhamento, identificar a causa do sangramento e diminuir o risco de nascimento prematuro e complicações na gestação. Veja como é feito o diagnóstico de placenta prévia e como é o tratamento.

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2. Descolamento da placenta

O descolamento da placenta corresponde a uma situação em que a placenta é separada da parede do útero, havendo sangramento vaginal e cólica abdominal muito forte. Devido à separação da placenta, há diminuição da quantidade de nutrientes e oxigênio enviado para o bebê, interferindo no seu desenvolvimento.

O descolamento da placenta pode acontecer com maior frequência a partir da 20ª semana de gestação e pode resultar em nascimento prematuro. Saiba o que fazer em caso de descolamento da placenta.

3. Placenta acreta

A placenta acreta é uma situação em que a placenta possui uma fixação anormal ao útero, resistindo para sair na hora do parto. Esse problema pode causar hemorragias com necessidade de transfusão de sangue e, nos casos mais graves, remoção total do útero, além de colocar em risco a vida da mulher.

4. Placenta calcificada ou envelhecida

É um processo normal e está relacionado com o grau de desenvolvimento da placenta. Essa alteração só é um problema se a placenta for classificada de grau III antes das 34 semanas, pois pode causar diminuição do ritmo de crescimento do feto. Em geral, a mulher não apresenta sintomas e esse problema é identificado pelo médico nas ultrassonografias de rotina.

Saiba mais sobre os graus de maturação da placenta.

5. Infarto da placenta ou trombose placentária

O infarto da placenta acontece quando há entupimento de algum vaso sanguíneo da placenta, o que caracteriza uma trombose e resulta na diminuição da quantidade de sangue que vai para o bebê. Apesar de essa complicação poder causar abortos, ela também pode não causar problemas à gravidez e passar despercebida. Confira o que fazer em caso de trombose placentária.

6. Placenta bilobada

A placenta bilobada acontece quando a placenta se divide em duas de mesmo tamanho e que estão ligadas por um tecido placentário. Essa alteração deve ser acompanhada com atenção pela equipe médica, pois há maior risco de ruptura dos vasos entre as duas partes da placenta durante o parto normal.

7. Placenta sucenturiada

A placenta sucenturiada é a divisão da placenta em duas ou mais partes de tamanhos diferentes, normalmente menor que a placenta principal. A ligação entre as partes acontece somente pelos vasos, não havendo tecido placentário. O principal risco dessa alteração é a não expulsão completa após o parto de todas as partes placentárias, aumentando o risco de hemorragia materna e infecção.

Pode comer a placenta após o parto?

Comer a placenta após o parto, chamado de placentofagia, tem sido relacionada a uma série de benefícios, como prevenir a depressão pós-parto, promover o aumento do peso do bebê ou aumentar a concentração de lactose e proteínas no leite materno e a produção de leite.

No entanto, comer a placenta após o parto, seja ela crua, assada, cozida, desidratada, em vitaminas, tinturas ou cápsulas, é desaconselhado pelos médicos e não é aprovado pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), pois não existem estudos que comprovem seus benefícios.

Além disso, comer a placenta após o parto pode aumentar o risco de infecções por bactérias, como a Streptococcus tipo B, na mulher e no bebê, ou até outras infecções presentes durante a gestação, como sífilis, hepatite A, Zika ou HIV.