Formigamento persistente nas mãos, cansaço que não passa com o sono e pequenas falhas de memória costumam ser atribuídos ao estresse, à rotina intensa ou ao envelhecimento natural. No entanto, quando esses três sintomas aparecem juntos e se mantêm por semanas, o corpo pode estar sinalizando algo mais específico e frequentemente negligenciado: a deficiência de vitamina B12. Essa carência afeta diretamente o sistema nervoso, avança de forma silenciosa por meses ou anos e, quando não tratada precocemente, pode deixar sequelas neurológicas irreversíveis.
Por que a vitamina B12 é essencial para o sistema nervoso?
A vitamina B12, também chamada de cobalamina, participa da produção da bainha de mielina, camada que envolve e protege os nervos, garantindo a transmissão rápida dos impulsos nervosos. Quando os níveis desse nutriente caem, essa proteção se desgasta.
Sem essa proteção adequada, os nervos periféricos passam a funcionar de forma mais lenta e imprecisa, o que gera formigamento, dormência e queimação nas mãos, nos braços, nas pernas e nos pés, sintomas conhecidos como neuropatia periférica.
Como a deficiência de B12 afeta a memória e o cansaço?
A vitamina B12 também está envolvida na produção de neurotransmissores como a serotonina, a dopamina e a noradrenalina, essenciais para o humor, a concentração e o funcionamento cognitivo. Sua deficiência prejudica esses processos e leva a lapsos de memória, dificuldade de raciocínio e sensação constante de cansaço mental.
Além disso, a B12 é fundamental para a formação dos glóbulos vermelhos. Quando falta, o corpo desenvolve anemia por deficiência de vitamina B12, que reduz o transporte de oxigênio para os tecidos e acentua a fadiga, a palidez e a falta de ar aos esforços.

Quem tem mais risco de desenvolver a deficiência?
A vitamina B12 está presente quase exclusivamente em alimentos de origem animal, e sua absorção depende de fatores digestivos. Alguns grupos apresentam risco aumentado e devem ficar atentos:
- Vegetarianos e veganos estritos: sem suplementação adequada, ficam sem a principal fonte alimentar do nutriente.
- Idosos acima de 60 anos: a produção de ácido gástrico diminui com a idade e reduz a absorção intestinal da vitamina.
- Usuários crônicos de omeprazol e outros inibidores da bomba de prótons: a redução do ácido estomacal prejudica a liberação da B12 dos alimentos.
- Pessoas em uso contínuo de metformina: o medicamento pode interferir na absorção intestinal do nutriente.
- Pacientes com gastrite atrófica ou anemia perniciosa: a falta de fator intrínseco impede a absorção da B12.
- Pessoas que fizeram cirurgia bariátrica: a alteração do trato digestivo reduz a superfície de absorção.
O que diz a ciência sobre B12 e sintomas neurológicos?
A relação entre carência de B12 e alterações neurológicas é amplamente documentada na literatura médica. Segundo a revisão sistemática The Neurological Sequelae of Vitamin B12 Deficiency, publicada na revista Cureus em 2025 e indexada pelo PubMed (National Library of Medicine), a deficiência de cobalamina é uma causa reconhecida de neuropatia periférica, declínio cognitivo e mielopatia, com melhora significativa dos sintomas neurológicos após a reposição adequada em pacientes com deficiência confirmada. A Sociedade Brasileira de Hematologia também reforça que a investigação precoce da vitamina B12 deve ser considerada em pessoas com sintomas neurológicos, cognitivos ou hematológicos, especialmente nos grupos de risco, pois o tratamento no início do quadro evita sequelas permanentes.

Quando investigar e quais exames podem confirmar o diagnóstico?
A avaliação médica é indicada sempre que os sintomas se mantêm por semanas ou se agravam com o tempo. Fique atento aos seguintes sinais que exigem investigação:
- Formigamento persistente nas mãos, nos pés ou nas pernas.
- Cansaço extremo que não melhora com o sono.
- Falhas de memória, confusão mental e dificuldade de concentração.
- Alterações de humor, irritabilidade ou sintomas depressivos sem causa aparente.
- Palidez, língua lisa e avermelhada, feridas nos cantos da boca ou queda de cabelo.
O diagnóstico é feito por meio da dosagem sérica de vitamina B12 em exame de sangue simples, geralmente acompanhada de hemograma completo para avaliar sinais de anemia megaloblástica. Em casos específicos, o médico pode solicitar também a dosagem de ácido metilmalônico e homocisteína, que aumentam a sensibilidade do diagnóstico. A partir dos resultados, o tratamento é definido conforme a causa e a gravidade, podendo incluir ajustes na alimentação com alimentos ricos em vitaminas do complexo B ou suplementação oral e intramuscular, sempre com acompanhamento profissional.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um médico de confiança.









