A deficiência de vitamina A nem sempre está relacionada à ausência de frutas alaranjadas ou vegetais coloridos na dieta. Em muitos casos, o problema está na absorção intestinal, comprometida por condições como doença celíaca, pancreatite crônica e outras alterações que dificultam a digestão de gorduras. Como a vitamina A é lipossolúvel, ela depende diretamente da bile e das enzimas pancreáticas para chegar às células, e falhas nesse processo geram carência mesmo com boa alimentação.
Como a vitamina A é absorvida pelo corpo?
A vitamina A chega ao organismo em duas formas: pré-formada (retinol), presente em alimentos animais como fígado, ovos e laticínios, e como carotenoides, encontrados em vegetais alaranjados e folhosos verde-escuros. Ambas precisam ser dissolvidas em gordura para serem absorvidas no intestino delgado.
Esse processo depende da ação da bile, produzida pelo fígado, e das enzimas pancreáticas, que quebram as gorduras da dieta. Sem esses componentes funcionando bem, a vitamina A é eliminada nas fezes antes de ser aproveitada.
Por que doenças intestinais e pancreáticas prejudicam a vitamina A?
A doença celíaca danifica as vilosidades intestinais responsáveis pela absorção de gorduras, comprometendo o aproveitamento de vitaminas lipossolúveis como A, D, E e K. Mesmo após iniciar dieta sem glúten, algumas pessoas mantêm deficiências nutricionais por meses.
Na pancreatite crônica, a produção de enzimas digestivas cai, o que gera esteatorreia, ou seja, gordura nas fezes, e reduz drasticamente a absorção de vitamina A. Fibrose cística, cirurgias bariátricas, doença de Crohn e obstruções biliares seguem o mesmo padrão de perdas persistentes.

Qual a diferença entre baixa ingestão e deficiência clínica?
A simples baixa ingestão pode reduzir os níveis de vitamina A, mas raramente causa sintomas clínicos quando o fígado ainda tem estoques adequados. Já a deficiência clínica é confirmada por exame de sangue com retinol sérico abaixo de 20 mcg/dL e costuma vir acompanhada de sinais visíveis:
- Olhos: dificuldade para enxergar no escuro (cegueira noturna), olhos secos e manchas de Bitot.
- Pele: aspecto de “pele de galinha”, ressecamento e feridas que demoram a cicatrizar.
- Imunidade: infecções respiratórias frequentes e maior gravidade de doenças como sarampo.
- Crescimento: atraso no desenvolvimento em crianças e maior risco de complicações em gestantes.
- Cabelo e unhas: ressecamento, queda e crescimento lento.
O que a ciência mostra sobre má absorção e vitamina A?
A literatura internacional reforça que os principais grupos de risco não são apenas quem consome poucas frutas ou verduras, mas quem tem problemas digestivos crônicos. De acordo com o fact sheet Vitamin A and Carotenoids Fact Sheet for Health Professionals, publicado pelo NIH Office of Dietary Supplements, pessoas com fibrose cística, doença celíaca recém-diagnosticada e doenças inflamatórias intestinais como Crohn e retocolite ulcerativa apresentam risco aumentado de deficiência de vitamina A devido à má absorção de gorduras, mesmo com ingestão dietética adequada.

Como confirmar a deficiência e o que fazer?
O diagnóstico envolve avaliação clínica, análise da alimentação, investigação de doenças digestivas e exame de sangue que mede o retinol sérico. Segundo diretrizes do Ministério da Saúde, valores abaixo de 20 mcg/dL indicam deficiência e abaixo de 10 mcg/dL apontam quadro grave, com risco de complicações oculares importantes.
O tratamento é individualizado e envolve corrigir a causa de base, ajustar a alimentação com alimentos ricos em vitamina A como fígado, ovos, cenoura, batata-doce e vegetais verde-escuros, e, quando indicado, fazer suplementação prescrita. É importante conhecer os sinais de carência de vitamina A e nunca recorrer à automedicação, já que o excesso é tóxico e pode causar dor de cabeça, alterações hepáticas e, em gestantes, risco de malformações fetais.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um médico de confiança.









