Rachaduras persistentes nos cantos da boca, que cicatrizam e voltam a aparecer no mesmo lugar, raramente são apenas sinal de lábios ressecados. Esse quadro tem nome clínico, a queilite angular, popularmente conhecida como boqueira, e costuma envolver uma combinação de fatores como acúmulo de saliva, infecções locais por fungos ou bactérias e, em muitos casos, carências nutricionais de ferro e vitaminas do complexo B. Entender essa origem múltipla é essencial para tratar o problema de forma eficaz e evitar novas crises.
O que é a queilite angular?
A queilite angular é uma inflamação da pele nos ângulos dos lábios, no ponto em que os cantos superior e inferior se encontram. Pode aparecer em apenas um lado ou nos dois ao mesmo tempo, com aspecto avermelhado, fissurado e por vezes coberto por crostas.
As lesões costumam doer ao falar, comer alimentos ácidos ou abrir a boca com mais amplitude, e tendem a se tornar crônicas quando a causa não é identificada. Conheça mais sobre os tipos e características da queilite para reconhecer o quadro precocemente.
Como diferenciar do lábio simplesmente ressecado?
O lábio ressecado costuma afetar toda a superfície labial, com descamação uniforme, e melhora rapidamente com hidratação, água e uso de manteigas labiais. Já a queilite angular fica restrita aos cantos da boca e não responde apenas ao hidratante.
Enquanto o ressecamento é passageiro e ligado ao clima ou ao ato de lamber os lábios, a boqueira volta sempre na mesma região, arde ao movimentar a boca e pode formar crostas ou fissuras profundas que sangram levemente.

Como a saliva e as infecções locais favorecem o problema?
A pele dos cantos da boca é fina e fica em contato constante com a saliva, especialmente em pessoas que dormem com a boca entreaberta, umedecem muito os lábios com a língua ou usam próteses dentárias mal ajustadas. Esse contato prolongado macera a pele e rompe a barreira protetora.
Uma vez aberta, essa região úmida e morna se torna ambiente ideal para o crescimento do fungo Candida albicans e da bactéria Staphylococcus aureus, transformando uma pequena fissura em uma inflamação persistente que pode virar uma ferida no canto da boca.
O que um estudo científico revela sobre as causas nutricionais?
A relação entre queilite angular e deficiências nutricionais é reconhecida há décadas pela medicina, mas muitas vezes é ignorada em consultas rápidas. Publicações científicas recentes reforçam a importância de investigar carências específicas quando a boqueira se torna recorrente.
Segundo o capítulo Angular Cheilitis, publicado no StatPearls e indexado na National Library of Medicine dos Estados Unidos, até 25% dos casos de queilite angular estão associados a deficiências de ferro ou de vitaminas do complexo B, especialmente B2 (riboflavina), B3 (niacina), B6 (piridoxina), B9 (folato) e B12 (cobalamina). A publicação destaca que essas carências prejudicam a regeneração das células da pele e das mucosas, tornando os cantos da boca mais suscetíveis a fissuras e infecções. Por isso, quando o quadro é persistente, o médico costuma solicitar exames de sangue para avaliar hemograma completo, ferritina, ferro sérico e níveis de vitaminas do complexo B antes de definir o tratamento.
Quando procurar avaliação médica para as rachaduras nos cantos da boca?
Nem toda rachadura nos lábios exige investigação médica, mas alguns sinais indicam que o problema vai além do ressecamento e merece atenção profissional. Procure um dermatologista, clínico geral ou dentista se apresentar:
- Rachaduras que voltam sempre na mesma região, mesmo com uso de hidratantes labiais
- Fissuras profundas com sangramento leve ou formação de crostas amareladas
- Ardência intensa ao abrir a boca, falar ou comer alimentos ácidos
- Lesões que duram mais de duas semanas sem melhora
- Aparecimento de placas esbranquiçadas nos cantos da boca ou dentro dela
- Cansaço frequente e palidez, possíveis sinais de anemia ferropriva
- Formigamento nas mãos ou pés, que pode indicar carência de vitamina B12
- Uso recente de próteses dentárias, aparelhos ortodônticos ou corticoides inalatórios

Como tratar e prevenir as rachaduras persistentes?
O tratamento da queilite angular depende diretamente da causa identificada e, por isso, deve ser individualizado. As principais medidas incluem:
- Aplicar pomadas indicadas pelo médico, como antifúngicos, antibióticos tópicos ou corticoides de baixa potência
- Corrigir próteses dentárias e aparelhos ortodônticos mal ajustados com o dentista
- Evitar o hábito de lamber os lábios, que mantém a região úmida e agrava a inflamação
- Manter uma boa higiene bucal, escovando dentes e língua com regularidade
- Repor ferro e vitaminas do complexo B apenas quando indicado por exames, com orientação profissional
- Incluir na dieta carnes, ovos, peixes, leguminosas e folhas verdes escuras, fontes naturais desses nutrientes
- Investigar a possível carência de vitamina B12 em vegetarianos, idosos e pessoas com problemas de absorção intestinal
- Controlar doenças de base, como diabetes e imunossupressão, que favorecem infecções recorrentes
Se as rachaduras nos cantos da boca persistem por mais de duas semanas, voltam com frequência ou vêm acompanhadas de sintomas gerais como cansaço, palidez ou formigamentos, é fundamental buscar avaliação médica. Um dermatologista, clínico geral ou dentista pode identificar a causa correta e indicar o tratamento adequado, evitando complicações e recidivas.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um médico de confiança para orientações específicas ao seu caso.









