Sentir tontura por poucos segundos ao virar a cabeça na cama e ter uma crise de vertigem intensa que dura horas com náuseas e sensação de ouvido cheio são coisas muito diferentes. Enquanto o primeiro padrão costuma indicar vertigem posicional paroxística benigna, a chamada VPPB, o segundo é típico da doença de Ménière, uma condição do ouvido interno em que a pressão do líquido no labirinto se altera e leva a crises longas de vertigem, zumbido e perda auditiva flutuante.
Qual a diferença entre vertigem de segundos e crise de horas?
Na VPPB, a tontura é breve, com poucos segundos até no máximo um minuto, e surge sempre ligada a um movimento específico, como deitar, levantar, virar na cama ou olhar para cima. Entre os episódios, a pessoa costuma se sentir bem.
Já na doença de Ménière, a crise de vertigem é espontânea, intensa e dura de 20 minutos a várias horas, com náuseas, vômitos e sensação de que o ambiente gira sem parar, mesmo com a pessoa parada.
O que causa a doença de Ménière?
A doença de Ménière está relacionada a um acúmulo excessivo de endolinfa, o líquido que preenche o labirinto, estrutura do ouvido interno responsável pelo equilíbrio e pela audição. Esse aumento de pressão distorce os sinais enviados ao cérebro.
Ainda não se conhece uma causa única, mas fatores como predisposição genética, alterações imunológicas, infecções virais, enxaqueca e problemas metabólicos podem contribuir, junto com gatilhos como excesso de sal, álcool, cafeína e estresse.

Como o estudo científico ajuda a diferenciar Ménière de outras vertigens?
Os critérios internacionais para o diagnóstico da doença de Ménière foram organizados justamente para separar essa condição de outras causas comuns de tontura, como a VPPB, a labirintite e a enxaqueca vestibular.
Segundo o consenso Diagnostic criteria for Menière’s disease, publicado no Journal of Vestibular Research pela Bárány Society e indexado no PubMed, o diagnóstico de doença de Ménière definida exige duas ou mais crises espontâneas de vertigem com duração de 20 minutos a 12 horas, perda auditiva neurossensorial em frequências baixas a médias no ouvido afetado e sintomas auditivos flutuantes como zumbido ou sensação de plenitude, um padrão bem distinto da vertigem breve da VPPB.
Quais sinais acompanham as crises de Ménière?
Além da vertigem prolongada, a doença de Ménière costuma vir com um conjunto de sintomas ligados ao ouvido, que muitas vezes surgem antes ou junto com a crise, ajudando o médico no diagnóstico.
Os sinais mais característicos incluem:
- Crises espontâneas de vertigem com 20 minutos a algumas horas de duração
- Zumbido no ouvido, contínuo ou intermitente
- Perda auditiva flutuante, principalmente em sons graves
- Sensação de pressão ou ouvido tapado antes ou durante a crise
- Náuseas, vômitos e suor frio no auge do episódio
- Desequilíbrio residual por horas ou dias após a crise
- Acometimento geralmente de um só ouvido, ao menos no início

Como se cuida da vertigem no dia a dia?
O tratamento depende muito do tipo de vertigem. Na VPPB, a manobra de Epley costuma resolver rapidamente ao reposicionar os cristais no ouvido interno, enquanto a doença de Ménière exige ajustes de estilo de vida e medicamentos definidos pelo médico.
Algumas medidas gerais que ajudam a reduzir crises e sintomas incluem:
- Reduzir o consumo de sal, cafeína e bebidas alcoólicas
- Manter boa hidratação e uma alimentação regular
- Controlar o estresse com sono adequado e pausas ao longo do dia
- Evitar tabagismo e uso de medicamentos por conta própria
- Fazer exercícios leves e reabilitação vestibular orientada
- Tratar doenças associadas, como enxaqueca, hipertensão e diabetes
- Aprender a reconhecer sintomas iniciais para agir cedo, como em uma crise de labirintite
Como a vertigem tem várias causas possíveis e algumas exigem urgência, procure orientação médica com um otorrinolaringologista ou neurologista diante de crises frequentes, zumbido persistente, perda de audição, quedas ou sintomas neurológicos, para diagnóstico correto e tratamento adequado.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde qualificado. Sempre consulte um médico para diagnóstico e tratamento adequados ao seu caso.









