Por muitas décadas, o ovo foi visto com desconfiança por conter colesterol na gema e associado ao risco cardiovascular. A ciência mais recente, no entanto, mostra que o consumo moderado desse alimento não eleva de forma significativa o colesterol sanguíneo na maioria das pessoas saudáveis e ainda oferece nutrientes essenciais, como proteína de alta qualidade, colina, vitamina D e luteína. A resposta sobre comer ovo diariamente, portanto, depende do perfil de saúde de cada pessoa e do padrão alimentar como um todo.
O que mudou na visão sobre o colesterol dos alimentos?
Durante anos, acreditou-se que o colesterol presente em alimentos como o ovo elevaria diretamente o colesterol sanguíneo. Pesquisas mais recentes mostram que o fígado ajusta a produção interna de colesterol conforme o consumido pela dieta.
Por isso, o principal fator ligado ao aumento do LDL na maioria das pessoas é o consumo de gordura saturada e trans, e não o colesterol dietético em si. Essa mudança de paradigma tirou o ovo da lista de vilões da saúde cardiovascular.
Comer um ovo por dia faz mal ao coração?
Para adultos saudáveis, o consumo diário de um ovo não está associado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, segundo grandes estudos populacionais. O ovo também é fonte de HDL, o colesterol considerado protetor.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia reforça que o foco deve estar no padrão alimentar completo. Um café da manhã com ovo cozido, frutas e pães integrais tem impacto muito diferente de outro acompanhado de bacon, embutidos e frituras.

Quais os principais benefícios do ovo no café da manhã?
Incluir o ovo na primeira refeição do dia é uma estratégia prática para começar com nutrientes essenciais e maior sensação de saciedade. Confira os principais benefícios do ovo quando consumido de forma regular:
- Proteína de alto valor biológico, com todos os aminoácidos essenciais para músculos e enzimas
- Colina, nutriente ligado à memória, ao foco e à saúde do fígado
- Vitamina D, importante para os ossos e para o sistema imunológico
- Luteína e zeaxantina, antioxidantes que ajudam a proteger a visão
- Selênio e vitaminas do complexo B, envolvidas no metabolismo energético
- Saciedade prolongada, que ajuda no controle do apetite ao longo da manhã
- Baixo teor calórico em relação ao aporte nutricional, com cerca de 70 kcal por unidade
O que o BMJ mostra sobre o ovo e o risco cardiovascular?
Grandes estudos internacionais ajudam a esclarecer o real impacto do consumo de ovos sobre a saúde do coração. Uma das análises mais robustas nesse campo reuniu dados de milhões de pessoas para responder de forma sólida a essa dúvida.
Segundo o estudo Egg consumption and risk of cardiovascular disease, publicado na revista BMJ e indexado no PubMed, a análise de três grandes coortes americanas e uma meta-análise com mais de 1,7 milhão de participantes concluiu que o consumo de até um ovo por dia não foi associado ao aumento do risco cardiovascular em adultos saudáveis. Os autores destacaram que o efeito pode variar em populações específicas e que o padrão alimentar geral é o fator mais relevante.

Quem precisa ter cautela com o consumo diário de ovos?
Apesar dos resultados favoráveis para a população em geral, algumas condições exigem acompanhamento profissional para definir a quantidade adequada. Vale redobrar a atenção nos seguintes casos:
- Dislipidemia, com colesterol alto ou triglicerídeos elevados, especialmente se resistentes a mudanças alimentares
- Diabetes tipo 2, condição em que o consumo excessivo de ovos pode elevar o risco cardiovascular em algumas pessoas
- Hipercolesterolemia familiar, quadro genético que altera a resposta do organismo ao colesterol dietético
- Doença cardiovascular estabelecida, com histórico de infarto, angina ou AVC
- Doença renal crônica, situação em que a proteína pode precisar ser ajustada
- Alergia ao ovo, condição em que o consumo deve ser totalmente evitado
Além disso, o preparo faz diferença. Ovos cozidos, pochê ou mexidos com pouco óleo preservam melhor os benefícios do alimento e evitam somar gordura saturada à refeição. Combiná-los com fibras, vegetais e cereais integrais amplia o efeito protetor no perfil lipídico.
Vale reforçar que ajustes na alimentação não substituem a avaliação individualizada. Um médico ou nutricionista pode indicar a quantidade ideal para cada perfil e ajudar no controle do colesterol ruim quando necessário.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Consulte sempre um médico para diagnóstico e tratamento adequados.









