Sentir o mundo girar por alguns segundos ao virar a cabeça na cama, olhar para cima ou se abaixar costuma ser um dos primeiros sinais da vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), uma condição do ouvido interno provocada pelo deslocamento de pequenos cristais de cálcio chamados otólitos. Apesar de assustadoras, as crises são curtas, duram poucos segundos e têm tratamento simples no consultório do otorrinolaringologista, o que torna importante reconhecer os sinais precocemente para evitar anos de desconforto e quedas.
O que é a vertigem posicional benigna?
A vertigem posicional benigna é um distúrbio do labirinto em que pequenos cristais de carbonato de cálcio se soltam de sua posição original e migram para os canais semicirculares do ouvido interno, região responsável pelo equilíbrio.
Quando a cabeça muda de posição, esses cristais se deslocam dentro do canal e enviam sinais confusos ao cérebro, gerando a sensação intensa de que o ambiente está girando, mesmo estando parado.
Por que a tontura aparece ao girar a cabeça?
Movimentos como deitar, levantar da cama, virar para o lado ou olhar para cima deslocam os cristais dentro do canal semicircular, estimulando de forma incorreta as células responsáveis pelo equilíbrio. Esse estímulo anormal provoca a crise repentina de tontura ao deitar, que costuma durar menos de um minuto.
A crise pode vir acompanhada de náusea, sudorese fria e sensação de instabilidade ao caminhar logo após o episódio, sintomas que tendem a assustar, mas não indicam gravidade neurológica.

Quais são os principais sintomas da VPPB?
Reconhecer o padrão dos sintomas ajuda a diferenciar a vertigem posicional de outras causas de tontura. Os sinais mais frequentes são:
- Vertigem rotatória curta, geralmente com menos de 60 segundos, desencadeada por mudança de posição da cabeça;
- Episódios ao deitar, levantar ou virar na cama, principalmente pela manhã;
- Náusea e vômito em crises mais intensas;
- Nistagmo, que é o movimento involuntário e rápido dos olhos durante a crise;
- Sensação de desequilíbrio residual por alguns minutos após o episódio;
- Ausência de perda auditiva ou zumbido, o que ajuda a diferenciar de outras doenças do ouvido.
Como um estudo científico confirma a eficácia do tratamento?
A conduta considerada padrão-ouro para a VPPB é a manobra de reposicionamento de Epley, realizada pelo otorrinolaringologista para reconduzir os cristais à sua posição original. Segundo a revisão Clinical Practice Guideline: Benign Paroxysmal Positional Vertigo (Update), publicada na revista Otolaryngology–Head and Neck Surgery pela American Academy of Otolaryngology, a manobra apresenta altas taxas de resolução dos sintomas já nas primeiras sessões, sendo segura e recomendada como primeira linha de tratamento.
O documento também reforça que muitos pacientes convivem com o problema por anos até receber o diagnóstico correto, já que os episódios são frequentemente confundidos com pressão baixa, ansiedade ou problemas de coluna cervical.

Quando procurar um otorrino?
É importante buscar avaliação médica sempre que a tontura for recorrente, atrapalhar as atividades do dia a dia ou gerar risco de quedas. O otorrinolaringologista pode confirmar o diagnóstico com a manobra de Dix-Hallpike e indicar o reposicionamento adequado, além de investigar outras causas de labirintite e distúrbios do equilíbrio.
Alguns sinais exigem atenção imediata, pois podem indicar causas diferentes da VPPB. Procure atendimento com urgência se apresentar:
- Tontura contínua que dura horas ou dias, sem relação com movimento;
- Perda auditiva súbita ou zumbido intenso em um dos ouvidos;
- Dor de cabeça forte associada à crise de vertigem;
- Alterações na fala, na visão ou fraqueza em braços e pernas;
- Desmaios ou perda de consciência durante os episódios;
- Quedas frequentes, especialmente em idosos.
Diante de crises de tontura ao mudar de posição, o ideal é registrar a frequência e os gatilhos dos episódios e buscar avaliação especializada, já que o tratamento costuma ser rápido e devolve qualidade de vida em poucas sessões. Vale lembrar ainda que outros fatores, como remédios que causam efeitos colaterais no equilíbrio, podem contribuir para a sensação de instabilidade e merecem investigação. Confira quais são os remédios que podem causar tontura e converse com seu médico.
Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um médico. Consulte sempre um profissional de saúde de confiança diante de qualquer sintoma.









