Tomar café em jejum é um dos hábitos mais comuns no Brasil e, para a maioria das pessoas saudáveis, não representa um risco real. Contudo, quem convive com gastrite, refluxo gastroesofágico ou ansiedade pode sentir sintomas amplificados, já que a bebida estimula ácido gástrico, cortisol e sistema nervoso. A Federação Brasileira de Gastroenterologia reforça que o efeito depende do perfil individual, e não há razão para demonizar uma das bebidas mais consumidas do país. A seguir, veja o que a ciência realmente mostra sobre o assunto.
O café em jejum faz mal para todo mundo?
Para pessoas saudáveis, tomar café antes da primeira refeição não costuma causar problemas, já que o organismo desenvolve tolerância à cafeína ao longo do tempo. A mucosa gástrica possui uma camada protetora natural que ajuda a manter o equilíbrio mesmo diante de bebidas estimulantes.
Entretanto, em quem tem gastrite, refluxo ou sensibilidade digestiva, a bebida em jejum pode intensificar acidez, azia e queimação, sendo prudente evitar o hábito e ajustar o horário.
Como o café afeta o cortisol e a ansiedade?
O cortisol atinge seu pico natural nas primeiras horas da manhã, e a cafeína consumida nesse período pode amplificar o efeito estimulante, gerando taquicardia, agitação e sensação de ansiedade em pessoas mais sensíveis. Esse é um dos motivos pelos quais adiar o café por 60 a 90 minutos após acordar pode ser mais confortável para alguns.
Pessoas com transtorno de ansiedade, hipertensão ou insônia devem observar a resposta do corpo e, se necessário, reduzir a quantidade ou optar pelo descafeinado, sempre com orientação profissional.

Quais efeitos do café no estômago e no sono?
O café atua em diferentes órgãos do sistema digestivo e também interfere no ciclo do sono, sobretudo quando consumido em excesso ou no fim do dia. Entre os principais efeitos comprovados estão:
- Aumento da secreção de ácido gástrico, o que pode agravar quadros de gastrite e úlcera;
- Estímulo à liberação de gastrina, hormônio ligado à produção de ácido no estômago;
- Relaxamento do esfíncter esofágico inferior, favorecendo o refluxo gastroesofágico;
- Aceleração da motilidade intestinal, útil para constipação mas indesejada em quem tem intestino irritável;
- Estímulo da vesícula biliar, com possível redução do risco de cálculos;
- Redução da adenosina no cérebro, o que aumenta o estado de alerta e pode atrasar o sono;
- Meia-vida longa da cafeína, que pode persistir por 5 a 6 horas no organismo.
O que uma revisão científica revela sobre café e digestão?
As evidências científicas atuais ajudam a separar mitos de fatos sobre o consumo do café. Segundo a revisão Effects of Coffee on the Gastro-Intestinal Tract A Narrative Review and Literature Update, publicada na revista científica Nutrients e indexada no PubMed, o café estimula de forma consistente a secreção ácida do estômago, a produção biliar e pancreática, além de aumentar a motilidade do cólon e modificar a microbiota intestinal.
A revisão também aponta que o consumo moderado, de 3 a 5 xícaras por dia, não causa danos ao trato digestivo na maioria das pessoas saudáveis, e pode inclusive ter efeito protetor contra doenças hepáticas e do refluxo gastroesofágico em determinados contextos.

Como consumir café sem prejudicar a saúde?
Pequenos ajustes na rotina permitem preservar o ritual do cafezinho sem prejudicar o estômago, o sono ou a ansiedade. Considere as seguintes recomendações práticas:
- Coma algo antes do café, como uma fruta, torrada integral ou iogurte natural;
- Limite o consumo a até três xícaras por dia, ou menos em caso de sensibilidade;
- Prefira torras mais escuras e moagem grossa, que tendem a ser menos ácidas;
- Evite adoçar com excesso de açúcar, que aumenta fermentação e desconforto;
- Não consuma café no fim da tarde ou à noite, para proteger a qualidade do sono;
- Espere 60 a 90 minutos após acordar, para não amplificar o pico de cortisol;
- Considere o descafeinado em casos de ansiedade, hipertensão ou insônia;
- Observe os sinais do corpo, como azia, palpitações ou dificuldade para dormir.
O café não é vilão, mas deve ser adaptado ao perfil e às condições de saúde de cada pessoa.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um médico ou nutricionista. Em caso de sintomas digestivos persistentes, insônia ou ansiedade, procure orientação profissional qualificada.









