Perceber linhas finas correndo da base à ponta das unhas é bem mais comum do que se imagina, e nem sempre representa um problema de saúde. Na maioria dos casos, esses sulcos verticais fazem parte do envelhecimento natural da matriz ungueal, assim como as rugas na pele. Em outras situações, porém, podem indicar desidratação crônica, deficiência nutricional ou falha na absorção de nutrientes, sinais que merecem atenção. Aprender a diferenciar o que é fisiológico do que precisa de investigação ajuda a evitar preocupação desnecessária e, ao mesmo tempo, garante que problemas silenciosos não passem despercebidos.
Por que aparecem sulcos verticais nas unhas?
Os sulcos verticais surgem quando a matriz da unha, região responsável pela produção de queratina, sofre alterações no ritmo de renovação celular. Isso torna a superfície irregular, com linhas paralelas que vão da cutícula até a borda.
Envelhecimento, ressecamento, hábitos como retirar cutículas e exposição frequente à acetona estão entre as causas mais comuns. Alterações internas, como problemas de tireoide e anemia, também podem contribuir para o quadro, especialmente em unhas fracas e quebradiças associadas.
Quando os sulcos são apenas parte do envelhecimento?
A partir dos 40 anos, é comum notar linhas finas e superficiais nas unhas, sem alterações de cor, formato ou espessura. Esse padrão é chamado de onicorrexe fisiológica e ocorre porque a matriz reduz naturalmente o ritmo de produção de queratina, deixando a superfície menos uniforme.
Nesses casos, os sulcos costumam ser simétricos, discretos e não vêm acompanhados de dor, descolamento ou fragilidade acentuada. É uma mudança estética esperada, semelhante ao surgimento de rugas na pele com o passar dos anos.

Como um estudo científico esclarece o quadro?
A diferenciação entre alterações benignas e patológicas está bem descrita na literatura dermatológica atual, que categoriza a fragilidade ungueal em formas idiopáticas e secundárias a doenças sistêmicas, desidratação ou deficiências nutricionais.
Segundo a revisão científica Pathogenesis, Clinical Signs and Treatment Recommendations in Brittle Nails publicada no periódico Dermatology and Therapy, a fragilidade ungueal atinge cerca de 20% da população, com maior frequência em mulheres acima dos 50 anos, e resulta muitas vezes da alteração no conteúdo de água da lâmina ungueal. Uma unha saudável mantém entre 10% e 30% de hidratação, e quando esse equilíbrio se rompe, surgem sulcos, descamação e quebras. Isso reforça a importância de investigar a causa em conjunto com um dermatologista sempre que houver piora rápida do quadro ou associação com quedas de cabelo e cansaço, sinais que podem sugerir hipotireoidismo.
Como fazer a autoavaliação visual das unhas?
Observar as mãos com atenção e boa iluminação, sem esmalte, permite identificar sinais que costumam passar despercebidos no dia a dia. Vale checar os seguintes pontos:
- Profundidade dos sulcos: linhas finas e superficiais tendem a ser benignas; ranhuras profundas merecem avaliação.
- Direção: sulcos verticais costumam estar ligados à idade ou desidratação; sulcos horizontais podem indicar doença sistêmica recente.
- Cor da unha: manchas brancas, amareladas ou azuladas sugerem deficiências ou infecções.
- Espessura: unhas muito finas e flexíveis apontam para carência de ferro, zinco ou biotina.
- Formato: unhas côncavas (em colher) sinalizam possível anemia, conforme sintomas de falta de ferro.
- Cutículas e pele ao redor: ressecamento intenso, rachaduras e descamação indicam desidratação crônica.

Quando os sulcos indicam desidratação ou má absorção?
Quando os sulcos aparecem em pessoas jovens, se aprofundam com rapidez ou vêm acompanhados de outros sintomas, o quadro deixa de ser meramente estético. Fique atento aos seguintes indícios:
- Sulcos profundos que surgem antes dos 40 anos, sem histórico familiar.
- Descamação em camadas, unhas moles ou que dobram com facilidade.
- Ressecamento persistente da pele, dos lábios e das mucosas, sugestivo de desidratação crônica.
- Queda de cabelo, cansaço, palidez ou intolerância ao frio.
- Histórico de doenças intestinais como doença celíaca ou Crohn, que reduzem a absorção de ferro, zinco, biotina e vitaminas do complexo B.
- Piora após cirurgia bariátrica ou dietas muito restritivas, quadros que exigem investigação de deficiências.
Nessas situações, o ideal é procurar um dermatologista ou clínico geral para realizar exames de sangue e definir a conduta adequada, incluindo hidratação, ajuste alimentar e, se necessário, tratamento específico.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Diante de alterações persistentes nas unhas, procure um dermatologista para diagnóstico e orientação individualizada.









