Pastilhas de zinco iniciadas nas primeiras 24 horas dos sintomas podem encurtar a duração do resfriado comum em cerca de 1 a 2 dias em adultos saudáveis, segundo revisões científicas recentes. O efeito é considerado modesto e depende da forma, da dose e do momento do uso. Entender esses detalhes ajuda a evitar tanto expectativas exageradas quanto o risco de excesso, que traz efeitos indesejados como náuseas e prejuízo na absorção de cobre.
Como o zinco atua contra o vírus do resfriado?
O zinco é um mineral essencial que participa da resposta imunológica e da integridade das mucosas respiratórias. A hipótese principal é que, ao ser dissolvido lentamente na boca e na garganta, ele interfere na replicação de rinovírus na região da orofaringe, onde o vírus se multiplica nas fases iniciais.
Esse mecanismo local explica por que pastilhas e xaropes tendem a apresentar resultados melhores que cápsulas engolidas. A ação sistêmica do mineral também contribui para o funcionamento normal de linfócitos e neutrófilos, células centrais no combate a infecções virais respiratórias.
O que o estudo Cochrane revelou sobre a duração dos sintomas?
Uma revisão sistemática publicada em 2024 reuniu 34 ensaios clínicos envolvendo 8.526 participantes para avaliar o efeito real da suplementação em quadros de resfriado comum. Os pesquisadores analisaram tanto o uso preventivo quanto o terapêutico em adultos saudáveis.
Segundo a revisão Zinc for prevention and treatment of the common cold publicada na Cochrane Database of Systematic Reviews, o zinco pode reduzir a duração dos sintomas em aproximadamente 2,37 dias em comparação com placebo, embora a certeza da evidência seja considerada baixa. Não houve benefício claro na prevenção de novos episódios.

Qual a dose e a forma mais estudadas para resfriados?
A forma e a dose influenciam diretamente o resultado observado nos estudos. Ensaios com pastilhas de acetato ou gluconato de zinco contendo mais de 75 mg de zinco elementar por dia mostraram os efeitos mais consistentes sobre a duração dos sintomas.
Pontos importantes que aparecem nas evidências disponíveis:
- Início rápido: começar nas primeiras 24 horas após o surgimento dos sintomas é decisivo para o efeito.
- Forma farmacêutica: pastilhas para dissolver na boca superam cápsulas engolidas em resultados clínicos.
- Sal do zinco: acetato e gluconato foram os mais testados em ensaios controlados.
- Frequência: doses divididas ao longo do dia, com dissolução lenta, mantêm contato prolongado com a mucosa.
- Duração do uso: a suplementação é indicada apenas durante o episódio agudo, não de forma contínua.
Quais são os riscos do excesso de zinco?
Embora seja um mineral essencial, o zinco em excesso traz efeitos adversos relevantes. A tolerância máxima diária para adultos, segundo órgãos como o FDA, é de 40 mg de zinco elementar considerando alimentos e suplementos somados. Suplementos combinados, como o ZMA, também precisam ser considerados nessa conta.
Antes de iniciar qualquer suplementação, é útil conhecer os efeitos indesejados mais comuns e as interações do mineral com o organismo:
- Náuseas e desconforto gástrico: foram os eventos adversos mais relatados nos estudos revisados.
- Alteração do paladar: gosto metálico ou amargo persistente durante o uso das pastilhas.
- Interferência na absorção de cobre: o uso prolongado em doses altas pode causar deficiência de cobre e alterações hematológicas.
- Perda do olfato: descrita principalmente com o uso de sprays nasais de zinco, que devem ser evitados.
- Interação com antibióticos: o mineral pode reduzir a absorção de tetraciclinas e quinolonas quando usado junto.

Quando o uso do zinco faz sentido no dia a dia?
O zinco não substitui medidas básicas como hidratação, repouso e higiene das mãos, que continuam sendo as estratégias mais eficazes contra infecções respiratórias virais. A suplementação pode ser considerada em adultos saudáveis nas primeiras horas de sintomas, respeitando dose e duração.
Manter uma dieta com alimentos que aumentam a imunidade, incluindo fontes naturais do mineral como carnes, ovos, sementes de abóbora e castanhas, costuma ser suficiente para preencher as necessidades diárias na maior parte da população, o que reduz a necessidade de suplementos rotineiros.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista. Consulte um profissional de saúde antes de iniciar qualquer suplementação, especialmente em caso de doenças crônicas, gestação, amamentação ou uso contínuo de medicamentos.









