Um novo teste endometriose feito pela saliva promete reduzir uma das maiores dificuldades de quem convive com dor pélvica crônica: esperar anos até fechar o diagnóstico. A tecnologia analisa microRNAs, pequenas moléculas ligadas à regulação dos genes, e pode ajudar quando exames de imagem não mostram alterações claras.
Como funciona o teste endometriose pela saliva
O teste, conhecido como Ziwig Endotest, usa uma amostra de saliva para analisar uma assinatura de 109 microRNAs associada à endometriose. O material é processado em laboratório com sequenciamento genético e inteligência artificial.
Segundo a Clinical Lab Products, o exame foi estudado como alternativa não invasiva para mulheres com dor pélvica crônica e suspeita de endometriose quando ultrassom ou ressonância magnética são normais ou inconclusivos.

Por que a endometriose demora tanto a ser descoberta
A endometriose pode causar sintomas intensos, mas nem sempre aparece facilmente nos exames. Além disso, cólicas fortes muitas vezes são normalizadas, o que atrasa a busca por atendimento especializado.
- Cólica menstrual incapacitante, que atrapalha trabalho, estudo ou rotina;
- Dor pélvica crônica, mesmo fora do período menstrual;
- Dor na relação sexual, principalmente em profundidade;
- Alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação;
- Dificuldade para engravidar, em alguns casos.
O que diz o estudo científico sobre o teste
O principal estudo é a validação prospectiva multicêntrica Validation of a Saliva Micro-RNA Signature for Endometriosis, publicada na NEJM Evidence. A pesquisa avaliou 971 mulheres sintomáticas, de 18 a 43 anos, atendidas em 17 centros na França.
O teste apresentou 96,6% de acurácia, com sensibilidade de 97,3% e especificidade de 94,1%. Isso significa que ele teve alta capacidade de identificar quem tinha a doença e também de reduzir resultados positivos em quem não tinha endometriose, dentro do grupo estudado.
Quem pode se beneficiar do exame
O teste pode ser mais útil quando há forte suspeita clínica, mas os exames convencionais não esclarecem o quadro. Ele não deve ser visto como triagem para qualquer pessoa sem sintomas, nem como substituto automático da avaliação médica.
- Mulheres com dor pélvica persistente e suspeita de endometriose;
- Pacientes com exames de imagem inconclusivos;
- Pessoas que querem evitar cirurgia diagnóstica, quando isso for possível e seguro;
- Casos em que o diagnóstico precoce pode orientar tratamento e fertilidade.

O que ainda precisa ficar claro
Apesar do resultado animador, o exame ainda precisa ser interpretado com cautela. O desempenho pode variar conforme população, acesso ao teste, critérios de indicação e comparação com outros métodos diagnósticos.
Também é importante lembrar que um resultado positivo não resolve sozinho o tratamento. A endometriose exige plano individualizado, que pode envolver analgésicos, hormônios, cirurgia em casos selecionados e acompanhamento da fertilidade. Para entender melhor sintomas e opções de cuidado, veja também o conteúdo do Tua Saúde sobre endometriose.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, especialmente ginecologista.









