Sentir a língua ardida e dolorida, notar formigamento constante nos pés e perceber leves alterações no equilíbrio ao caminhar são queixas que raramente parecem ligadas entre si. No entanto, quando aparecem juntas, esse conjunto pode ser um sinal silencioso de deficiência prolongada de vitamina B12. Como o corpo estoca essa vitamina no fígado, a carência costuma se instalar aos poucos e comprometer os nervos antes de causar sintomas mais evidentes, o que atrasa o diagnóstico e aumenta o risco de sequelas.
Qual o papel da vitamina B12 no organismo?
A vitamina B12, também chamada de cobalamina, é essencial para a formação dos glóbulos vermelhos, para a produção do DNA e para a manutenção da bainha de mielina, camada que protege os nervos e garante a transmissão rápida dos impulsos elétricos.
Como o corpo não produz essa vitamina, ela precisa vir da alimentação, principalmente de carnes, ovos, leite e derivados, ou de suplementos. Entenda melhor a função da vitamina B12 no organismo e onde encontrá-la.
Por que a carência prejudica os nervos?
Quando os níveis de B12 ficam baixos por muito tempo, a bainha de mielina começa a se desgastar. Sem essa proteção, os nervos periféricos transmitem os impulsos de forma irregular, o que provoca formigamento, queimação, dormência e alterações de sensibilidade nas mãos e nos pés.
Com o passar dos meses, a deficiência pode afetar também a medula espinhal e o cérebro, gerando perda de equilíbrio, dificuldade para caminhar, lapsos de memória e mudanças de humor.

Quais sintomas costumam aparecer juntos?
Os sinais surgem de forma sutil e progressiva, o que dificulta a percepção. Confira os principais sintomas que podem indicar deficiência de B12:
- Língua avermelhada, lisa e dolorida, condição chamada de glossite;
- Formigamento e dormência nas mãos e nos pés;
- Sensação de queimação nas pontas dos dedos;
- Perda de equilíbrio e insegurança ao caminhar;
- Cansaço extremo que não melhora com o descanso;
- Palidez, falta de ar aos pequenos esforços e tontura;
- Dificuldade de concentração e lapsos de memória;
- Alterações de humor, irritabilidade e sintomas depressivos;
- Aftas recorrentes e fissuras nos cantos da boca.
Nem toda pessoa apresenta o quadro completo, mas a presença de vários desses sinais em conjunto merece investigação médica.
O que um estudo científico mostra sobre os efeitos neurológicos?
Pesquisas clássicas ajudam a entender como a falta de B12 compromete o sistema nervoso. Segundo o estudo Neurologic Aspects of Cobalamin Deficiency, publicado na revista Medicine e indexado na base PubMed, queixas neurológicas como formigamento, ataxia e perda de sensibilidade foram os primeiros sintomas em grande parte dos episódios de deficiência analisados.
O trabalho também mostrou que muitos pacientes desenvolveram alterações nos nervos mesmo com hemograma normal, sem sinais de anemia, o que reforça a importância de investigar a B12 mesmo quando os exames de sangue de rotina parecem tranquilos.

Quem tem mais risco e como confirmar o diagnóstico?
Alguns grupos precisam de atenção redobrada aos sinais de deficiência, principalmente porque a carência pode passar despercebida por anos. Veja as principais situações de risco:
- Pessoas acima de 60 anos, pela redução natural da absorção;
- Vegetarianos e veganos sem suplementação orientada;
- Pacientes com gastrite atrófica ou anemia perniciosa;
- Pessoas que fizeram cirurgia bariátrica ou têm doença celíaca;
- Usuários crônicos de metformina e inibidores de bomba de prótons, como omeprazol;
- Portadores de doenças inflamatórias intestinais, como Crohn.
A deficiência precisa ser confirmada com avaliação clínica e exames laboratoriais, como dosagem de B12, hemograma, ácido metilmalônico e homocisteína, antes de qualquer reposição. Iniciar suplementação por conta própria pode mascarar o diagnóstico e atrasar a identificação de causas de má absorção que exigem tratamento específico.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Diante de sintomas persistentes, procure orientação de um clínico geral, hematologista ou neurologista de confiança.









