Acordar com uma dor muito forte de um lado da cabeça, quase sempre no mesmo horário, especialmente com olho vermelho, lacrimejamento e dor ao redor do olho, pode ser sinal de cefaleia em salvas, um tipo raro e intenso de dor de cabeça que costuma surgir em crises repetidas.
Quando suspeitar de cefaleia em salvas
A cefaleia em salvas geralmente causa uma dor súbita, profunda e muito intensa, localizada de um lado da cabeça, principalmente atrás ou ao redor de um dos olhos. A crise pode acordar a pessoa durante a madrugada e seguir um padrão parecido por dias ou semanas.
Diferente de uma dor de cabeça comum, ela costuma vir acompanhada de sinais no mesmo lado da dor, como olho lacrimejando, vermelhidão, nariz entupido ou escorrendo e inquietação. Algumas pessoas relatam que não conseguem ficar deitadas durante a crise.

Sintomas que costumam aparecer
Os sintomas ajudam a diferenciar a cefaleia em salvas de outras dores de cabeça, como enxaqueca ou sinusite. Os sinais mais característicos costumam aparecer do mesmo lado da dor:
- Dor muito forte em volta ou atrás de um olho;
- Olho vermelho e lacrimejando durante a crise;
- Nariz entupido ou escorrendo no mesmo lado;
- Pálpebra caída ou inchada;
- Crises que surgem em horários parecidos, muitas vezes à noite;
- Duração de cerca de 15 minutos a 3 horas.
O que um estudo científico observou
Esse padrão de dor que volta em horários parecidos chama atenção porque a cefaleia em salvas parece ter relação com o relógio biológico. Segundo o estudo observacional Sleep and chronobiology in cluster headache, publicado na revista Cephalalgia, 82,2% dos pacientes relataram ritmo diário das crises e 56% relataram ritmo anual.
O estudo também encontrou pior qualidade do sono em pessoas com cefaleia em salvas, o que ajuda a explicar por que as crises podem surgir durante a noite. Ainda assim, isso não significa que dormir mal seja a causa direta, mas sim que sono, dor e ritmo biológico podem estar conectados.
O que fazer durante a crise
Quando a dor tem esse padrão, o ideal é procurar um neurologista para confirmar o diagnóstico e indicar o tratamento correto. Analgésicos comuns muitas vezes não funcionam bem, porque a crise pode atingir o pico rapidamente.
- Anotar horário, duração, lado da dor e sintomas de cada crise;
- Evitar álcool durante o período de crises, pois pode desencadear novos episódios;
- Não se automedicar com doses repetidas de analgésicos;
- Procurar atendimento se a dor for a pior da vida ou vier com fraqueza, confusão, febre ou alteração na fala;
- Ler mais sobre cefaleia em salvas e seus tratamentos possíveis.

Quando buscar avaliação médica
A avaliação médica é importante quando a dor é sempre do mesmo lado, aparece em crises repetidas, acorda a pessoa do sono ou vem junto com lacrimejamento e vermelhidão no olho. A Mayo Clinic descreve esse padrão como típico da cefaleia em salvas.
Também é essencial investigar quando a dor muda de padrão, começa de forma explosiva ou aparece pela primeira vez após os 50 anos. Nesses casos, o médico pode pedir exames para descartar outras causas e indicar opções para aliviar as crises e prevenir novos episódios.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









