A tontura que começa ao virar na cama, olhar para cima ou se abaixar pode ser causada pela vertigem posicional paroxística benigna, conhecida como VPPB. Nessa condição, pequenos cristais de cálcio se deslocam dentro do ouvido interno e provocam crises intensas, mas geralmente breves, de sensação de giro. O padrão ligado ao movimento da cabeça é uma pista importante, embora a avaliação médica seja necessária para confirmar a causa e excluir problemas mais graves.
O que são os cristais soltos no ouvido?
No ouvido interno existem partículas microscópicas de carbonato de cálcio, chamadas otocônias, que ajudam o cérebro a perceber a aceleração e a posição do corpo. Quando essas partículas saem do local habitual e entram nos canais semicirculares, passam a estimular os sensores de equilíbrio de maneira inadequada. Esse mecanismo caracteriza a vertigem posicional paroxística benigna.
Ao mudar a posição da cabeça, os cristais se movimentam dentro do canal e enviam ao cérebro um sinal de rotação que não corresponde ao que os olhos e o restante do corpo percebem. Esse conflito provoca vertigem, desequilíbrio, náusea e movimentos involuntários dos olhos. A crise costuma começar após alguns segundos e desaparecer em menos de um minuto, embora possa deixar uma leve instabilidade depois.
O que uma revisão científica confirma sobre a VPPB?
O tratamento mais usado não depende de medicamentos, mas de movimentos guiados que conduzem as partículas de volta a uma região onde deixam de causar sintomas. Segundo The Epley canalith repositioning manoeuvre for benign paroxysmal positional vertigo, revisão sistemática publicada na Cochrane Database of Systematic Reviews, a manobra de Epley é segura e eficaz para a VPPB do canal posterior.
O resultado reforça que reconhecer o padrão posicional permite tratar diretamente o mecanismo do problema. Ainda assim, a manobra precisa ser escolhida conforme o canal afetado e o lado do ouvido envolvido. Fazer movimentos aleatórios em casa pode não ajudar, piorar temporariamente a vertigem ou ser inadequado para quem tem limitações na coluna cervical, problemas vasculares ou outras condições clínicas.

Quais sinais combinam com vertigem posicional?
Algumas características tornam a VPPB mais provável durante a investigação:
- sensação de que o quarto ou o próprio corpo está girando;
- crise desencadeada ao virar na cama, deitar, levantar ou inclinar a cabeça;
- episódios que duram segundos ou menos de um minuto;
- náusea, suor frio ou insegurança para caminhar logo após a crise;
- repetição dos sintomas sempre com movimentos semelhantes;
- ausência de desmaio, perda de consciência ou perda auditiva súbita.
Quando a tontura pode não ser VPPB?
Alguns sinais não combinam com o padrão típico e exigem avaliação rápida:
- tontura contínua por horas ou dias, sem relação clara com a posição da cabeça;
- desmaio, sensação de apagamento, dor no peito ou palpitações;
- perda auditiva súbita, ouvido tampado repentino ou zumbido novo e intenso;
- fraqueza ou dormência em um lado do corpo, rosto torto ou fala alterada;
- visão dupla persistente, dificuldade importante para andar ou falta de coordenação;
- dor de cabeça súbita e muito forte, vômitos repetidos ou perda de consciência.

Como confirmar o diagnóstico e tratar?
O diagnóstico costuma ser feito por um médico, especialmente otorrinolaringologista ou neurologista, com a descrição dos episódios e testes de posicionamento. Na manobra de Dix-Hallpike, a cabeça e o corpo são movimentados de forma controlada para verificar se surge vertigem acompanhada de nistagmo, um movimento involuntário dos olhos. Outros exames podem ser solicitados quando o padrão não é típico.
Quando a VPPB é confirmada, manobras de reposicionamento, como a manobra de Epley, podem aliviar o quadro ao retirar os cristais do canal afetado. Medicamentos podem reduzir a náusea em situações específicas, mas não recolocam as partículas no lugar. Como a VPPB pode voltar, novos episódios devem ser reavaliados, sobretudo se surgirem sintomas diferentes ou sinais compatíveis com AVC.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação médica. Procure orientação profissional para confirmar a origem da tontura e busque atendimento de urgência diante de perda auditiva súbita, desmaio, fraqueza, alteração da fala, dificuldade intensa para andar ou outros sintomas neurológicos.









