Sentir dor no lado do polegar ao abrir potes, torcer tampas, carregar sacolas ou sustentar uma criança pode indicar tendinite de De Quervain, uma inflamação da bainha que envolve dois tendões do polegar. O desconforto costuma piorar quando a mão precisa agarrar um objeto com força ou quando o punho é inclinado e girado. Embora o quadro seja comum e tenha tratamento, outras lesões podem causar sintomas parecidos, por isso a localização e o tipo de movimento que provocam a dor merecem atenção.
O que é a tendinite de De Quervain?
A tenossinovite de De Quervain afeta os tendões que passam por um pequeno túnel na lateral do punho, próximo à base do polegar. Esses tendões ajudam a afastar e estender o dedo, movimentos necessários para segurar, pinçar e levantar objetos.
Quando a bainha ao redor dos tendões fica espessada ou irritada, o deslizamento perde suavidade e provoca dor, sensibilidade e, em alguns casos, inchaço. O quadro faz parte das possíveis causas de dor no punho, mas não deve ser confundido com fraturas, artrose, compressão de nervos ou outras tendinites.
Por que a dor piora ao agarrar e torcer o punho?
Abrir uma tampa exige força dos dedos, estabilização do polegar e rotação do punho. Essa combinação aumenta o atrito na região inflamada e explica por que tarefas simples, como abrir embalagens, espremer um pano, usar uma chave ou levantar uma panela, podem desencadear uma pontada no lado do polegar.
Carregar uma criança também pode agravar o desconforto, principalmente quando o adulto sustenta o peso com os polegares afastados e os punhos inclinados. Diferentemente do dedo em gatilho, que causa estalo ou travamento de um dedo, a tendinite de De Quervain concentra a dor na lateral do punho.

Quais sinais ajudam a reconhecer o problema?
Algumas características tornam a tendinite de De Quervain mais provável, embora apenas a avaliação profissional possa confirmar o diagnóstico:
- Dor na lateral do punho, junto à base do polegar;
- Piora ao agarrar, pinçar, torcer tampas ou levantar peso;
- Sensibilidade ao pressionar a região dolorida;
- Inchaço discreto ou sensação de atrito durante o movimento;
- Dor que pode subir para o antebraço ou reduzir a força da mão;
- Ausência de travamento do dedo, sintoma mais característico do dedo em gatilho.
O que fazer para aliviar a sobrecarga?
As primeiras medidas buscam reduzir a irritação dos tendões sem forçar movimentos dolorosos:
- Diminuir temporariamente tarefas que envolvam pinça, torção e levantamento de peso;
- Segurar objetos com as duas mãos e manter o punho em uma posição mais reta;
- Evitar sustentar crianças com os polegares muito afastados e o punho inclinado;
- Aplicar compressa fria protegida por um pano por 15 a 20 minutos;
- Evitar alongamentos fortes e testes caseiros que provoquem dor intensa;
- Usar órtese, anti-inflamatórios ou outros medicamentos somente com orientação profissional;
- Realizar fisioterapia quando indicada para recuperar a mobilidade e adaptar os movimentos.

Estudo reforça quais tratamentos podem trazer mais alívio
Segundo a revisão sistemática e meta-análise em rede revisada por pares Management of de Quervain Tenosynovitis, publicada na revista científica JAMA Network Open, a análise de 30 estudos com 1.663 participantes encontrou benefícios para dor e função ao associar a infiltração com corticosteroide à imobilização do polegar por três a quatro semanas. A aplicação guiada por ultrassom também foi relacionada a maior redução da dor, mas a escolha do tratamento deve ser individualizada.
O diagnóstico costuma ser clínico, baseado na localização da dor, nas atividades que pioram o desconforto e no exame do punho. É importante procurar orientação médica quando a dor persiste, limita as tarefas diárias ou vem acompanhada de perda de força, inchaço intenso, vermelhidão, febre, dormência, deformidade ou histórico de queda e impacto.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. Diante de dor no punho ou limitação dos movimentos, procure um ortopedista ou outro profissional de saúde qualificado.









