Uma ferida no pé de quem tem diabetes precisa de atenção mesmo quando não causa dor. Isso acontece porque alterações nos nervos podem reduzir a sensibilidade, fazendo com que cortes, bolhas e pequenos machucados passem despercebidos. Além disso, problemas de circulação podem dificultar a cicatrização e favorecer complicações. Por isso, examinar os pés diariamente e procurar avaliação médica ao identificar uma lesão são cuidados importantes para proteger a saúde.
Por que uma ferida no pé pode não causar dor?
O diabetes pode provocar danos nos nervos, conhecidos como neuropatia diabética. Essa condição reduz a capacidade de perceber dor, pressão e mudanças de temperatura, permitindo que pequenos ferimentos apareçam ou aumentem sem causar desconforto.
Além disso, alterações na circulação podem diminuir a chegada de sangue e oxigênio aos tecidos, dificultando a cicatrização. A ausência de dor não significa que a ferida seja inofensiva, especialmente quando há perda de sensibilidade.

O que uma revisão científica revelou sobre as feridas?
Segundo a revisão científica A comprehensive review on diabetic foot ulcer addressing vascular insufficiency, impaired immune response, and delayed wound healing mechanisms, publicada em 2025 na revista Frontiers in Pharmacology, a neuropatia, os problemas circulatórios e as alterações na resposta imunológica contribuem para o desenvolvimento de úlceras nos pés de pessoas com diabetes.
Os autores explicam que a perda de sensibilidade permite que lesões repetidas passem despercebidas, enquanto a circulação prejudicada dificulta a recuperação dos tecidos. A revisão destaca a importância da identificação precoce das feridas, do acompanhamento profissional e dos cuidados preventivos.
Como examinar os pés e evitar pequenos machucados?
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), observar os pés diariamente ajuda a identificar alterações antes que se agravem. Alguns cuidados importantes incluem:
- Examine os pés todos os dias, incluindo a sola, os calcanhares e os espaços entre os dedos.
- Procure cortes, bolhas, rachaduras, calos e mudanças na cor da pele.
- Utilize um espelho ou peça ajuda de outra pessoa para visualizar a sola dos pés.
- Use calçados confortáveis, adequados ao tamanho dos pés e que não provoquem atrito.
- Verifique se há pedras ou outros objetos dentro dos sapatos antes de calçá-los.
- Evite andar descalço, mesmo dentro de casa.
Também é importante manter a pele limpa e seca, especialmente entre os dedos. Conheça outros cuidados para prevenir complicações do pé diabético.
O que fazer ao encontrar uma ferida no pé?
Ao identificar um pequeno machucado, é importante protegê-lo e procurar avaliação médica prontamente, mesmo que não exista dor. Enquanto aguarda atendimento, alguns cuidados podem ajudar:
- Lave delicadamente a região com água limpa e sabonete suave.
- Proteja o machucado com um curativo limpo e adequado, sem apertar a região.
- Evite pressionar ou provocar atrito sobre a ferida.
- Não utilize álcool, água oxigenada ou produtos irritantes no machucado.
- Não tente cortar calos, furar bolhas ou remover tecidos da ferida em casa.
Feridas profundas não devem ser tratadas por conta própria. O profissional de saúde poderá avaliar a circulação, a sensibilidade e a necessidade de cuidados específicos para favorecer a cicatrização.

Quando uma ferida no pé exige atendimento rápido?
Qualquer ferida no pé de uma pessoa com diabetes merece avaliação médica prontamente, mesmo sem dor. A presença de vermelhidão, aumento da temperatura local, secreção, mau cheiro ou inchaço crescente exige ainda mais atenção, pois pode indicar infecção.
Procure atendimento de urgência se houver febre, vermelhidão que se espalha rapidamente, escurecimento da pele ou piora acentuada da ferida. Não espere o machucado aumentar ou começar a doer para buscar ajuda.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.








