Quando se fala em vitamina A, o primeiro pensamento costuma ser sobre a saúde dos olhos. E faz sentido: a vitamina A é essencial para a produção de rodopsina, o pigmento que permite enxergar com pouca luz. Mas a deficiência desse nutriente vai muito além da visão. Ela afeta a pele, o sistema imunológico, as mucosas e o crescimento, e pode se instalar de forma silenciosa por meses antes que qualquer sinal ocular apareça. Reconhecer esses sinais mais cedo pode fazer a diferença no diagnóstico e na prevenção de complicações.
Um estudo alerta para o crescimento da deficiência em populações de risco
Embora a deficiência grave de vitamina A seja mais prevalente em países de baixa renda, pesquisadores da Duke University alertaram para um aumento dos casos em grupos vulneráveis mesmo em países desenvolvidos. A revisão científica Recognizing vitamin A deficiency: special considerations in low-prevalence areas, publicada na revista Current Opinion in Pediatrics em 2022, sintetizou evidências sobre manifestações clínicas, fatores de risco e manejo da hipovitaminose A, destacando que a vitamina A é crucial para a integridade funcional dos olhos, do sistema imunológico, da pele e das mucosas. O estudo identificou populações de risco crescente, como pessoas com doenças gastrointestinais, síndromes de má absorção, doença hepática e aquelas submetidas a cirurgia bariátrica, e reforçou que o diagnóstico precoce é fundamental para prevenir desfechos graves. Acesse a revisão completa: Recognizing vitamin A deficiency: special considerations in low-prevalence areas — PubMed, Current Opinion in Pediatrics, 2022.

Os 5 sinais que aparecem antes ou junto com os problemas visuais
A vitamina A é lipossolúvel e o organismo mantém reservas hepáticas que podem durar meses. Por isso, os sinais clínicos de deficiência surgem de forma gradual, e os sintomas visuais nem sempre são os primeiros. Veja os cinco sinais que merecem atenção:
- Pele com aspecto de “pele de galinha” nos braços e coxas: a deficiência de vitamina A altera a diferenciação das células epiteliais, levando ao acúmulo de queratina nos folículos pilosos. O resultado é uma erupção de pápulas endurecidas e secas, especialmente na parte de trás dos braços, nas coxas e nos glúteos, condição conhecida como hiperqueratose folicular ou frinodermia. A pele fica áspera, escamosa e seca de forma generalizada. Esse sinal pode se confundir com outras dermatoses, por isso é importante que um médico avalie o contexto clínico e nutricional.
- Infecções respiratórias e intestinais frequentes: a vitamina A mantém a integridade das mucosas do trato respiratório, do intestino e do sistema urinário, que funcionam como barreiras físicas contra microrganismos. Quando os níveis do nutriente estão baixos, essas barreiras enfraquecem, tornando o organismo mais suscetível a infecções recorrentes, especialmente em crianças. A vitamina A também modula a resposta imune inata, e sua deficiência compromete a atividade de células fagocitárias e a produção de proteínas antimicrobianas.
- Cicatrização lenta de feridas e pele muito seca: o ácido retinoico, forma ativa da vitamina A, regula diretamente a proliferação e diferenciação dos queratinócitos, as células que compõem a camada externa da pele. Sem aporte adequado, a renovação celular fica comprometida, a pele perde elasticidade e a cicatrização de pequenas feridas demora mais do que o esperado. A secura extrema da pele, especialmente em locais que normalmente não ressecam, pode ser um sinal precoce de deficiência.
- Olhos secos e sensação de areia nos olhos: antes da cegueira noturna, um dos primeiros sinais oculares da hipovitaminose A é a xeroftalmia, caracterizada pelo ressecamento progressivo da conjuntiva e da córnea. A pessoa pode sentir queimação, sensação de corpo estranho nos olhos e fotossensibilidade aumentada. Em estágios mais avançados, surgem as manchas de Bitot, que são pequenas placas brancas e espumosas na parte branca do olho, indicativo mais específico de deficiência grave.
- Atraso no crescimento e desenvolvimento em crianças: a vitamina A participa da regulação do crescimento ósseo e da maturação celular em múltiplos tecidos. Em crianças, sua deficiência está associada ao atraso no crescimento físico, à maior susceptibilidade ao sarampo e às doenças diarreicas graves, e a um risco elevado de mortalidade por infecções. Mesmo a deficiência subclínica, sem sinais evidentes, já compromete o desenvolvimento imunológico e nutricional em fases críticas da infância.

Quem tem mais risco de desenvolver a deficiência
A vitamina A é lipossolúvel, o que significa que sua absorção depende da presença de gordura na refeição e de um trato digestivo funcionando adequadamente. Pessoas com doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn e a colite ulcerativa, com fibrose cística, com obstrução biliar, com doença hepática crônica ou que realizaram cirurgia bariátrica têm absorção comprometida do nutriente e representam um grupo de risco mesmo em países com boa disponibilidade alimentar. O consumo excessivo de álcool, que interfere no metabolismo hepático da vitamina A, e dietas muito restritivas sem acompanhamento nutricional também aumentam o risco.
Alimentos e orientação médica são os caminhos para corrigir a deficiência
O diagnóstico da deficiência de vitamina A é feito por exame de sangue que mede o retinol sérico, e valores abaixo de 20 mcg/dL confirmam a carência. O tratamento é orientado pelo médico ou nutricionista e inclui o aumento do consumo de alimentos fontes do nutriente, como fígado bovino, gema de ovo, laticínios integrais, cenoura, batata-doce, abóbora e vegetais verde-escuros, além de suplementação quando indicada. A automedicação com vitamina A deve ser evitada, pois o excesso do nutriente é tóxico e pode causar hipervitaminose, com sintomas como dor de cabeça, náusea, alterações hepáticas e, em gestantes, risco de malformações fetais. Saiba mais sobre os efeitos da falta de vitamina A no organismo em carência de vitamina A no Tua Saúde. Ao identificar qualquer um dos sinais descritos, procure avaliação médica para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento adequado.
Aviso: este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Nunca inicie suplementação de vitamina A sem orientação médica.









