Quando os olhos ardem, a garganta fica raspando e a tosse aparece sem motivo aparente em dias de céu encoberto por fumaça, o corpo está avisando que o ar ao redor não está saudável. A fumaça de queimadas e incêndios florestais carrega partículas finas e gases irritantes que podem afetar olhos, nariz, garganta, pulmões e até o coração, mesmo em quem mora longe do foco do fogo.
Como a fumaça afeta o corpo?
A fumaça de queimadas contém partículas muito pequenas, conhecidas como material particulado fino, e gases como monóxido de carbono, dióxido de enxofre e ozônio. Essas substâncias penetram facilmente nas vias respiratórias e podem chegar até as regiões mais profundas dos pulmões.
Ao entrar em contato com as mucosas, provocam irritação e inflamação, o que explica o ardor nos olhos, a coriza, a tosse e a sensação de garganta arranhada mesmo em pessoas sem doenças respiratórias prévias.
Quais são os sintomas mais comuns?
Os primeiros sinais de que o ar está afetando o organismo costumam ser leves, mas incômodos, e melhoram quando a pessoa se protege da fumaça. Fique atento a:
- Ardor, coceira e vermelhidão nos olhos, muitas vezes com lacrimejamento
- Coriza e nariz irritado, com espirros frequentes
- Garganta seca ou arranhada, com sensação de “raspagem”
- Tosse seca, especialmente em ambientes mais expostos
- Dor de cabeça leve a moderada
- Cansaço fora do habitual após atividades simples
- Rouquidão e desconforto ao falar
- Piora de sintomas de rinite, sinusite ou asma já existentes

Quais são os sinais de alerta que exigem atendimento?
Alguns sintomas indicam que a exposição já está causando um impacto mais sério e pedem avaliação médica sem demora. Falta de ar intensa, chiado no peito persistente, dor ao respirar, dor no peito, palpitações, lábios ou dedos azulados, confusão mental e desmaio são sinais de que o corpo está sob estresse importante.
Idosos, gestantes, crianças, fumantes e quem tem asma, DPOC, doenças cardíacas ou pressão alta precisam de atenção redobrada, pois a fumaça pode agravar quadros crônicos e favorecer a piora da falta de ar.
O que a ciência mostra sobre a fumaça de queimadas?
Estudos recentes mostram que o material particulado presente na fumaça de incêndios florestais pode ser ainda mais tóxico do que a poluição comum do ar. Segundo a revisão Clearing the Air: Understanding the Impact of Wildfire Smoke on Asthma and COPD, publicada em 2024 na revista Healthcare, a inalação do material particulado fino de queimadas provoca lesão pulmonar por estresse oxidativo, inflamação local e sistêmica, comprometimento do epitélio das vias aéreas e maior vulnerabilidade a infecções.
Os autores destacam que a exposição está relacionada a crises de asma e DPOC, aumento de atendimentos de emergência e internações, com risco maior em crianças, idosos e pessoas expostas por longos períodos. Conheça também os principais riscos de inalar fumaça de incêndio em situações de exposição direta.

Como se proteger nos dias de fumaça?
Medidas simples ajudam a reduzir a entrada das partículas no organismo e a aliviar o desconforto, principalmente em cidades sob alerta de má qualidade do ar. Vale reforçar cuidados com pessoas mais vulneráveis dentro de casa.
Algumas recomendações importantes incluem:
- Evitar atividades ao ar livre, sobretudo exercícios físicos, nos dias de fumaça
- Manter portas e janelas fechadas nos horários de maior concentração de poluentes
- Usar máscaras adequadas, como PFF2 ou N95, quando precisar sair
- Beber bastante água ao longo do dia para manter as mucosas hidratadas
- Lavar os olhos com soro fisiológico e usar lágrimas artificiais para aliviar o ardor
- Fazer lavagem nasal com soro para reduzir a irritação das vias aéreas
- Manter os ambientes umidificados, com bacias de água ou umidificadores
- Não interromper medicamentos de uso contínuo para asma, rinite ou DPOC sem orientação médica
Se surgirem sinais de alerta como falta de ar importante, dor no peito, chiado persistente ou confusão mental, procure atendimento médico imediatamente para avaliação e tratamento adequados.
Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Diante de sintomas respiratórios intensos ou persistentes durante períodos de fumaça, procure orientação médica.









