Uma dor persistente na lateral do quadril que irradia pela coxa é frequentemente confundida com problema de coluna ou crise de nervo ciático. Muitos pacientes chegam a fazer exames de coluna e receber tratamentos que não resolvem o incômodo, quando na verdade a origem está em uma pequena bursa inflamada no próprio quadril. Reconhecer essa diferença evita meses de sofrimento e procedimentos desnecessários.
O que é a bursite trocantérica?
A bursite trocantérica é a inflamação da bursa que cobre o trocânter maior, uma saliência óssea localizada na parte lateral do quadril. A bursa funciona como uma almofada que reduz o atrito entre o osso, os músculos e os tendões da região.
Quando essa estrutura inflama, surge uma dor característica na lateral do quadril que pode descer pela coxa. É uma das causas mais comuns de dor lateral no quadril em adultos, principalmente em mulheres acima de 40 anos e em pessoas que praticam corrida ou ciclismo.
Por que a bursite é confundida com dor no nervo ciático?
Assim como a dor ciática, a bursite trocantérica pode provocar desconforto que irradia da região do quadril em direção à coxa e ao joelho. Essa semelhança gera diagnósticos equivocados e leva muitos pacientes a fazer exames de coluna sem necessidade.
A grande diferença está na origem da dor. Na ciática verdadeira, o problema começa na coluna lombar e desce pelo trajeto do nervo, enquanto na bursite a dor nasce na lateral do quadril, sem envolver a coluna. Outras causas de dor no quadril irradiando para a perna também precisam ser descartadas na avaliação.

Como um estudo científico confirma esse erro diagnóstico frequente?
Pesquisas recentes mostram o quanto essa confusão é comum na prática clínica. Segundo o estudo High prevalence of greater trochanteric pain syndrome among patients presenting to spine clinic for evaluation of degenerative lumbar pathologies publicado na revista Journal of Clinical Neuroscience, mais da metade dos pacientes encaminhados a uma clínica de coluna para investigar problemas lombares apresentavam, na verdade, síndrome dolorosa do trocânter maior.
Os autores concluíram que a bursite trocantérica é frequentemente subdiagnosticada ou confundida com patologias da coluna, alertando para o risco de procedimentos cirúrgicos desnecessários. A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia reforça a importância do exame físico detalhado antes de qualquer intervenção invasiva.
Como o exame físico faz a diferença?
O diagnóstico correto começa com uma avaliação clínica cuidadosa, feita por ortopedista ou fisiatra. Alguns sinais no exame físico ajudam a diferenciar a bursite da dor ciática de origem lombar:
- Dor à palpação direta do trocânter maior, sinal clássico da bursite trocantérica
- Piora ao deitar sobre o lado afetado, comum na bursite e rara na ciática lombar
- Dor com a rotação ou abdução resistida do quadril, que reproduz o incômodo trocantérico
- Ausência de dor lombar importante, ao contrário do que acontece nas hérnias de disco
- Sem alterações neurológicas, como formigamento, perda de força ou reflexos alterados
- Manobras específicas de tração do nervo ciático negativas, indicando que a coluna não é a origem

Como é feito o tratamento correto?
Após o diagnóstico adequado, o tratamento costuma ser conservador e apresenta bons resultados na maioria dos casos. As principais medidas indicadas por especialistas incluem:
- Repouso relativo e afastamento das atividades que desencadeiam a dor, como corrida ou longos períodos em pé
- Aplicação de compressas frias na lateral do quadril por 15 a 20 minutos, algumas vezes ao dia
- Uso de anti-inflamatórios sob orientação médica para reduzir o processo inflamatório
- Fisioterapia com foco em fortalecimento do glúteo médio, alongamento da banda iliotibial e correção postural
- Investigação de outras causas comuns de dor no quadril quando o quadro não melhora
- Infiltração com corticoide guiada por imagem em casos resistentes ao tratamento inicial
- Encaminhamento à avaliação ortopédica ou fisiátrica especializada quando os sintomas persistem por mais de algumas semanas
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Diante de dor persistente no quadril, procure um ortopedista ou fisiatra de sua confiança.








