Escutar uma pulsação dentro do ouvido no mesmo ritmo do coração nem sempre é efeito da ansiedade. Esse sintoma é conhecido como zumbido pulsátil e pode surgir quando o fluxo do sangue se torna mais intenso, rápido ou turbulento em vasos próximos às estruturas auditivas. Embora algumas causas sejam simples, o padrão sincronizado com o pulso merece avaliação porque também pode estar ligado à pressão alta, anemia, aterosclerose ou alterações vasculares.
O que é o zumbido pulsátil?
O zumbido pulsátil costuma ser percebido como batidas, sopros, pulsações ou um som de “tum-tum” dentro de um ou dos dois ouvidos. Sua principal característica é acompanhar os batimentos cardíacos, podendo ficar mais evidente no silêncio, ao deitar ou depois de esforço físico.
Já o zumbido no ouvido mais comum tende a ser contínuo e descrito como apito, chiado ou som de cigarra, sem acompanhar o pulso. Esse tipo costuma estar mais relacionado à perda auditiva, exposição a ruídos, acúmulo de cera, infecções ou alguns medicamentos.
Por que o fluxo do sangue pode ser ouvido?
Em condições normais, o sangue circula de forma silenciosa pelos vasos. Quando há aumento da velocidade, estreitamento ou mudança no trajeto do fluxo, podem surgir vibrações que são transmitidas às estruturas próximas do ouvido e percebidas como um som ritmado.
A pressão alta pode tornar a passagem do sangue mais intensa, enquanto a anemia pode elevar a frequência cardíaca e o volume de sangue bombeado para compensar a menor oferta de oxigênio. Na aterosclerose, placas de gordura estreitam artérias e favorecem turbulência, especialmente quando atingem vasos do pescoço próximos ao ouvido.

Estudo reforça a frequência das causas vasculares
Segundo o Cerebrovascular pulsatile tinnitus: causes, treatments, and outcomes in 164 patients with neuroangiographic correlation, estudo retrospectivo revisado por pares publicado no Journal of NeuroInterventional Surgery, causas vasculares foram identificadas em 75,6% dos pacientes selecionados por suspeita cerebrovascular, reforçando que o som sincronizado ao pulso não deve ser automaticamente atribuído à ansiedade.
- Alterações venosas: estreitamentos ou mudanças nos seios venosos do crânio podem produzir ruído próximo ao ouvido.
- Estenose arterial: o estreitamento de artérias, inclusive por aterosclerose, pode deixar o fluxo turbulento.
- Fístulas arteriovenosas: conexões anormais entre artérias e veias modificam a velocidade e a direção do sangue.
- Aumento do fluxo: anemia, gravidez e alterações da tireoide podem aumentar o débito cardíaco.
- Pressão intracraniana elevada: pode vir acompanhada de dor de cabeça e alterações visuais.
Quais sinais indicam necessidade de avaliação rápida?
Algumas características ajudam a diferenciar um incômodo passageiro de um quadro que precisa ser investigado com maior rapidez:
- som pulsátil que surge de repente ou permanece por vários dias;
- zumbido em apenas um ouvido, especialmente quando está ficando mais intenso;
- dor de cabeça forte, visão embaçada, visão dupla ou perda visual;
- tontura intensa, desmaio, fraqueza, dormência ou dificuldade para falar;
- dor no pescoço após trauma ou movimento brusco;
- palidez, cansaço, falta de ar ou palpitações, que podem acompanhar anemia;
- pressão arterial muito elevada ou sintomas como dor no peito e falta de ar.

Como o zumbido pulsátil é investigado?
A avaliação pode começar com exame do ouvido, teste auditivo, medição da pressão, ausculta do pescoço e do crânio e exames de sangue, como hemograma. Conforme o padrão do sintoma, o médico pode solicitar ultrassom Doppler, tomografia, angiotomografia, ressonância magnética ou estudos específicos das artérias e veias.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação médica. Como o zumbido pulsátil pode ter causas auditivas, metabólicas ou vasculares, procure orientação de um otorrinolaringologista ou clínico, principalmente se o som for novo, persistente, unilateral ou acompanhado de sintomas neurológicos, visuais ou cardiovasculares.









