A deficiência de ferro pode começar de forma silenciosa, com cansaço, menor tolerância aos esforços, queda de cabelo e unhas frágeis, mesmo quando a hemoglobina ainda está dentro do intervalo de referência. Isso acontece porque o organismo primeiro consome suas reservas de ferro e somente depois, quando a deficiência se aprofunda, pode deixar de produzir hemoglobina em quantidade suficiente. Por isso, um hemograma normal não exclui o problema, e a ferritina pode revelar a redução dos estoques em uma fase mais precoce.
Por que a deficiência aparece antes da anemia?
O ferro não serve apenas para formar a hemoglobina. Ele também participa do metabolismo energético e do funcionamento dos músculos, do cérebro, da pele e dos folículos capilares. Quando há baixa ingestão, perda de sangue ou dificuldade de absorção, o corpo utiliza o ferro armazenado para manter a produção das células vermelhas.
Nessa fase, a hemoglobina pode permanecer normal, mas a ferritina já pode estar reduzida. A anemia ferropriva representa uma etapa mais avançada, na qual a falta de ferro passa a comprometer a formação das hemácias e o transporte de oxigênio pelo organismo.
Estudo confirma sintomas com hemoglobina normal
Segundo o estudo retrospectivo e transversal Beyond anemia: a comprehensive analysis of iron deficiency symptoms in women and their correlation with biomarkers, publicado no periódico científico BMC Women’s Health, mulheres com deficiência de ferro sem anemia apresentaram muitos sintomas também observados nas pacientes anêmicas. Fadiga, fraqueza e queda de cabelo estavam entre as queixas frequentes.
A pesquisa avaliou 239 mulheres com ferritina abaixo de 30 µg/L e mostrou que a anemia não era necessária para a maioria das manifestações registradas. Os autores também observaram associação entre os sintomas e a saturação da transferrina, reforçando que a investigação da deficiência de ferro não deve ficar restrita ao valor da hemoglobina.

Quais sinais podem aparecer primeiro?
Os sintomas são pouco específicos, mas a suspeita aumenta quando várias manifestações surgem juntas ou existem fatores de risco para deficiência:
- cansaço persistente e redução do rendimento físico ou mental;
- exaustão ou falta de ar em esforços antes bem tolerados;
- queda difusa de cabelo e diminuição do volume dos fios;
- unhas finas, descamando ou quebrando com facilidade;
- dor de cabeça, tontura, dificuldade de concentração ou sensação de frio;
- necessidade de movimentar as pernas ao deitar;
- vontade incomum de mastigar gelo, conhecida como pagofagia;
- pele e mucosas mais pálidas quando a deficiência está avançando.
Quais exames ajudam a identificar o ferro baixo?
O médico interpreta os resultados em conjunto, pois um único exame nem sempre esclarece o quadro:
- hemograma completo, que avalia a hemoglobina e as características das hemácias;
- dosagem da ferritina, que estima as reservas de ferro do organismo;
- saturação da transferrina, que indica quanto ferro está disponível para os tecidos;
- ferro sérico e transferrina, usados como informações complementares;
- proteína C reativa, quando há suspeita de infecção ou inflamação;
- exames direcionados para investigar perda de sangue ou má absorção intestinal.

Como tratar e quando investigar a causa?
O tratamento não consiste apenas em tomar ferro. É necessário descobrir por que os estoques diminuíram, especialmente diante de menstruação intensa, gravidez, dieta restritiva, doação frequente de sangue, cirurgia bariátrica, doença celíaca ou sangramento gastrointestinal. Em homens e mulheres após a menopausa, perdas de sangue pelo sistema digestivo precisam ser investigadas com atenção.
Uma alimentação com carnes, feijão, lentilha, grão-de-bico, sementes e vegetais verde-escuros contribui para a ingestão do mineral. Combinar as fontes vegetais de alimentos ricos em ferro com vitamina C pode melhorar a absorção, mas a dieta nem sempre corrige sozinha uma deficiência importante. A suplementação deve ter dose e duração definidas por um profissional, pois o excesso também pode ser prejudicial.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação médica. Procure um clínico geral ou hematologista diante de cansaço persistente, queda de cabelo, falta de ar ou alterações nas unhas, mesmo que o hemograma esteja normal, e não use suplementos de ferro sem confirmar a necessidade e investigar a causa.









