A relação entre magnésio pressão ganhou mais clareza com uma análise de ensaios clínicos que mostrou um efeito real, porém modesto, do mineral na redução da pressão arterial. O ponto mais importante é que o benefício não apareceu igual para todos, sendo maior em pessoas com hipertensão ou baixos níveis de magnésio.
O que o estudo científico revelou
A pesquisa avaliou se suplementos de magnésio realmente reduzem a pressão arterial e se doses maiores produzem melhores resultados. Foram incluídos 38 ensaios clínicos randomizados, com 2.709 participantes, usando doses de magnésio elementar entre 82,3 mg e 637 mg por dia.
Segundo a revisão sistemática e meta-análise Magnesium Supplementation and Blood Pressure, publicada na revista Hypertension, da American Heart Association, a suplementação reduziu a pressão sistólica em média em 2,81 mmHg e a diastólica em 2,05 mmHg em comparação ao placebo.
Quem respondeu melhor
Os maiores efeitos apareceram em grupos que provavelmente tinham mais espaço para melhora. Pessoas com hipertensão em uso de remédios para pressão e pessoas com hipomagnesemia, ou seja, magnésio baixo no sangue, tiveram reduções mais expressivas.
- Hipertensos em tratamento tiveram queda média de 7,68 mmHg na pressão sistólica;
- Pessoas com magnésio baixo tiveram queda média de 5,97 mmHg na sistólica;
- A pressão diastólica também caiu mais nesses grupos;
- Em pessoas com pressão normal, o resultado não atingiu significância estatística.

Dose maior funciona melhor
Apesar de ser uma análise dose-resposta, os pesquisadores não encontraram uma relação clara entre tomar mais magnésio e reduzir mais a pressão. Isso significa que aumentar a dose por conta própria não garante melhor efeito e pode aumentar o risco de desconfortos.
A dose mediana dos estudos foi de 365 mg por dia, com duração mediana de 12 semanas. Ainda assim, os autores destacaram que houve alta variação entre os ensaios, o que exige cautela antes de transformar esses números em uma recomendação única para todos.
Cuidados antes de suplementar
O magnésio pode fazer parte de uma estratégia de cuidado cardiovascular, mas não substitui remédios, dieta adequada, controle do sal, atividade física e acompanhamento médico. Também não deve ser usado como tentativa isolada de tratar pressão alta.
- Evite iniciar doses altas sem orientação profissional;
- Pessoas com doença renal precisam de cuidado especial;
- O suplemento pode causar diarreia, náuseas e cólicas;
- Informe ao médico se usa remédios para pressão, antibióticos ou diuréticos.

O que fica para a prática
O estudo sugere que o magnésio pode ajudar principalmente quem tem hipertensão ou deficiência do mineral, mas o efeito médio é pequeno. Para quem deseja melhorar a ingestão diária, vale conhecer alimentos ricos em magnésio, como sementes, oleaginosas, leguminosas e cereais integrais.
A mensagem central é simples: o magnésio pode somar, especialmente quando existe deficiência, mas não deve ser visto como solução rápida para pressão alta. A melhor resposta depende do perfil de saúde, exames, alimentação e tratamento já em uso.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou a orientação de um médico.









