Rolar o feed do celular na cama parece inofensivo, mas pesquisas recentes mostram que cada hora adicional de tela antes de dormir pode estar associada a um risco maior de sintomas depressivos, especialmente em crianças e adolescentes. O uso noturno de dispositivos eletrônicos reduz a produção de melatonina, atrasa o início do sono e altera regiões do cérebro ligadas ao humor. Entenda o que a ciência já sabe sobre esse mecanismo e por que psiquiatras vêm alertando famílias e adultos jovens sobre esse hábito silencioso.
Como a luz da tela afeta a produção de melatonina?
A luz azul emitida por celulares, tablets e televisores age diretamente sobre a glândula pineal, responsável por liberar a melatonina, hormônio que sinaliza ao corpo que é hora de dormir. Quando essa luz atinge os olhos à noite, a produção do hormônio cai de forma significativa.
Com menos melatonina disponível, o adormecer demora mais, o sono fica mais fragmentado e a fase profunda é reduzida. Esse desequilíbrio no ciclo circadiano é um dos principais motivos pelos quais o uso da tela à noite prejudica tanto o descanso e favorece a insônia.
Qual a relação entre sono ruim e depressão?
Dormir menos e pior compromete regiões cerebrais responsáveis pela regulação emocional, como o córtex pré-frontal e a amígdala. Isso torna a pessoa mais vulnerável à irritabilidade, ansiedade e tristeza persistente.
Além disso, o sono profundo é essencial para a limpeza de neurotoxinas e para a consolidação de memórias positivas. Sem esse processo, os primeiros sintomas de depressão podem começar a aparecer, especialmente em quem já tem predisposição.

Quais faixas etárias são mais afetadas?
Embora o problema atinja todas as idades, alguns grupos são especialmente vulneráveis ao uso noturno de telas. Confira quem mais sofre com esse hábito:
- Crianças de 9 a 13 anos, cujo cérebro está em fase crítica de desenvolvimento das conexões neurais
- Adolescentes de 14 a 18 anos, mais expostos a redes sociais e conteúdos emocionalmente intensos
- Jovens adultos até 25 anos, que costumam usar o celular como último estímulo antes de dormir
- Idosos, que já possuem produção reduzida de melatonina naturalmente com a idade
- Pessoas com histórico de ansiedade ou depressão, cujo sono é ainda mais sensível a estímulos noturnos
O que revela o estudo publicado no JAMA Pediatrics?
Uma investigação científica de grande escala confirmou essas suspeitas com dados robustos e acompanhamento prolongado. Segundo o estudo Role of Sleep and White Matter in the Link Between Screen Time and Depression in Childhood and Early Adolescence, publicado na revista científica JAMA Pediatrics em 2025, o aumento do tempo de tela no fim da infância está diretamente ligado a mais sintomas depressivos na adolescência, com o efeito mediado pela redução do sono e por alterações na substância branca do cérebro.
Como explica o psiquiatra, “o cérebro em desenvolvimento é altamente sensível à privação de sono, e o uso do celular antes de dormir age como um gatilho invisível para transtornos de humor”. A pesquisa acompanhou 976 crianças e observou que sintomas depressivos começaram a surgir a partir de 2 horas diárias de tela.

Como reduzir o uso de tela antes de dormir?
Pequenas mudanças no ritual noturno podem proteger o sono e o humor a longo prazo. Confira estratégias práticas para adotar hoje mesmo:
- Desligar telas pelo menos 1 hora antes do horário previsto para dormir
- Ativar o modo noturno ou filtro de luz azul quando o uso for inevitável
- Deixar o celular fora do quarto, longe da cabeceira da cama
- Substituir a tela por leitura de livro físico, alongamento ou meditação
- Manter horários regulares para dormir e acordar, mesmo aos fins de semana
- Reduzir notificações noturnas para evitar despertares e checagens automáticas
Quando os sintomas depressivos persistem mesmo após ajustes na rotina, é fundamental buscar avaliação com um profissional para diagnóstico e tratamento adequados.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Consulte um médico, psiquiatra ou psicólogo para orientações individualizadas sobre sono, saúde mental e uso de tecnologia.









