Sentir pernas inquietas à noite pode parecer ansiedade, estresse ou excesso de cansaço, mas também pode ter relação com alterações na função dos rins. Em pessoas com doença renal crônica, esse sintoma é mais comum e pode estar ligado a mudanças no metabolismo do ferro, toxinas urêmicas e pior qualidade do sono.
Por que os rins podem influenciar as pernas
Quando os rins não filtram o sangue adequadamente, substâncias que deveriam ser eliminadas podem se acumular no organismo. Esse desequilíbrio pode afetar nervos, músculos e o sono, favorecendo desconfortos nas pernas em repouso.
A síndrome das pernas inquietas costuma causar uma vontade quase irresistível de mexer as pernas, principalmente ao deitar. O incômodo melhora temporariamente com movimento, mas pode voltar quando a pessoa tenta descansar.
Estudo científico ligou o sintoma à doença renal
Segundo o estudo transversal observacional Prevalence of Restless Leg Syndrome and Its Association With Iron Deficiency in Patients With Chronic Kidney Disease, publicado na revista Cureus em 2025, a síndrome das pernas inquietas foi avaliada em adultos com doença renal crônica em diferentes modalidades de tratamento.
Os autores observaram que o problema foi mais frequente em pacientes renais, especialmente em pessoas em diálise, e teve associação com deficiência de ferro. Isso é importante porque o ferro participa da função da dopamina, substância envolvida no controle dos movimentos.

Sinais que diferenciam de estresse
O estresse pode piorar o sono e aumentar a percepção de desconfortos, mas a síndrome das pernas inquietas tem um padrão mais característico. Observar quando e como o sintoma aparece ajuda a levantar a suspeita.
- Vontade intensa de mover as pernas ao deitar ou ficar parado;
- Sensação de formigamento, repuxamento, agonia ou inquietação profunda;
- Piora no fim do dia ou durante a noite;
- Alívio temporário ao caminhar, alongar ou mexer as pernas;
- Dificuldade para pegar no sono ou despertares frequentes.
Quem deve investigar os rins
A investigação é mais importante quando as pernas inquietas aparecem junto de fatores de risco para doença renal ou alterações em exames. Em muitos casos, a doença renal crônica evolui sem sintomas claros no início.
- Pessoas com pressão alta ou diabetes;
- Quem já tem creatinina, ureia ou exame de urina alterados;
- Pacientes em hemodiálise ou diálise peritoneal;
- Pessoas com anemia, ferritina baixa ou saturação de transferrina reduzida;
- Quem sente cansaço intenso, inchaço nas pernas ou urina espumosa.

O que fazer antes de tratar
Antes de usar remédios para dormir ou suplementos por conta própria, é importante avaliar causas possíveis, como deficiência de ferro, doença renal, neuropatia, uso de alguns medicamentos, gravidez, consumo de cafeína e alterações do sono.
Para entender melhor sintomas e formas de tratamento, veja também o conteúdo sobre síndrome das pernas inquietas. Quando há suspeita de relação com os rins, o médico pode solicitar creatinina, taxa de filtração glomerular, urina, ferritina e outros exames para orientar o cuidado com segurança.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









