Sentir ardência nos pés ao deitar, com sensação de queimação, agulhadas ou choques, dificilmente é apenas cansaço do dia. Esse desconforto costuma piorar à noite e pode indicar alterações nos nervos periféricos, comuns em pessoas com glicose alta, deficiência de vitaminas do complexo B ou compressão de raízes nervosas. Reconhecer os sinais precocemente permite investigar a causa, controlar a glicemia e evitar a progressão de danos que podem se tornar permanentes.
Por que os pés ardem mais durante a noite?
Durante o dia, os estímulos do ambiente e o movimento distraem o cérebro, o que reduz a percepção do desconforto. Ao deitar, o corpo relaxa, a temperatura da pele muda e a atenção se volta às sensações internas, o que faz a ardência ficar mais intensa e perceptível.
Quando o problema envolve as pequenas fibras nervosas responsáveis pela dor e pela sensação de temperatura, os sintomas noturnos costumam ser ainda mais marcantes. Nesses casos, a queixa aparece em ambos os pés e tende a piorar com o passar das semanas.
Como a glicose alta afeta a sensibilidade dos pés?
Níveis elevados de açúcar no sangue por longos períodos danificam progressivamente os nervos periféricos e os pequenos vasos que os nutrem. Esse quadro é chamado de neuropatia diabética e afeta principalmente os pés, gerando ardência, formigamento, dormência e dor em pontadas.
Mesmo pessoas com pré-diabetes já podem apresentar essas manifestações. Por isso, investigar a glicose alta por meio de exames como glicemia de jejum e hemoglobina glicada é fundamental para diferenciar um simples cansaço de um problema mais sério.

Quais outras causas podem estar por trás da ardência?
Nem toda ardência nos pés é causada pelo diabetes. Outras condições precisam ser consideradas na avaliação médica. Fique atento às principais possibilidades:
- Deficiência de vitamina B12 ou de outras vitaminas do complexo B, comum em vegetarianos, idosos e pessoas em uso prolongado de metformina;
- Compressão de nervos, como na síndrome do túnel do tarso ou em hérnias de disco lombar;
- Consumo excessivo de álcool, que provoca a neuropatia alcoólica;
- Doenças da tireoide, especialmente o hipotireoidismo, que afeta a condução nervosa;
- Insuficiência renal ou hepática, pelo acúmulo de substâncias tóxicas no organismo;
- Uso de determinados medicamentos, como quimioterápicos e alguns antibióticos.
O que um estudo científico revela sobre a queimação nos pés?
Pesquisas mostram que grande parte dos casos de ardência nos pés está ligada a lesões nas pequenas fibras nervosas, e não a doenças musculares ou circulatórias. Uma revisão indexada no PubMed reuniu evidências recentes sobre a origem, o diagnóstico e o manejo dessa condição.
De acordo com a revisão Small Fiber Neuropathy A Burning Problem, publicada em Cleveland Clinic Journal of Medicine, a neuropatia de pequenas fibras é uma das principais causas de queimação dolorosa nos pés, especialmente em idosos, e o diabetes mellitus é a causa identificável mais comum. Os autores destacam que a intolerância à glicose e componentes da síndrome metabólica também estão frequentemente associados, reforçando a importância de investigar a glicemia mesmo em pessoas sem diagnóstico prévio de diabetes.

Quando procurar avaliação médica e quais exames podem ajudar?
É importante procurar um clínico geral, endocrinologista ou neurologista sempre que a ardência nos pés for frequente, atrapalhar o sono ou vier acompanhada de outros sintomas. Alguns sinais indicam a necessidade de investigação mais detalhada:
- Queimação em ambos os pés, com piora à noite e ao repouso;
- Dormência, formigamento ou perda de sensibilidade progressiva;
- Feridas ou bolhas que demoram a cicatrizar;
- Fraqueza muscular, desequilíbrio ou dificuldade para andar;
- Histórico de diabetes, pré-diabetes, uso de álcool ou dietas restritivas.
Entre os exames mais solicitados estão glicemia de jejum, hemoglobina glicada, hemograma, função renal, função da tireoide e dosagens de vitamina B12, ácido fólico e vitamina B1. Em casos selecionados, o médico pode solicitar eletroneuromiografia e biópsia de pele para confirmar a polineuropatia periférica e identificar a causa exata do problema.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um médico ou profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um especialista para orientações personalizadas.









