Queda de cabelo persistente, fios quebradiços, unhas finas que descamam e sobrancelhas ralas nas extremidades são quatro sinais discretos que podem revelar um desequilíbrio da tireoide muito antes do diagnóstico. Como esses sintomas costumam ser confundidos com estresse, envelhecimento ou deficiência de vitaminas, muita gente convive com o problema por meses sem investigar a glândula. Entender o que cada alteração indica ajuda a procurar o endocrinologista no tempo certo e evitar que a disfunção evolua.
Por que a tireoide afeta o cabelo e as unhas?
Os hormônios T3 e T4, produzidos pela tireoide, regulam o metabolismo de praticamente todas as células do corpo, inclusive dos folículos capilares e da matriz ungueal. Quando esses hormônios estão em falta ou em excesso, o ciclo de crescimento dos fios se desorganiza e a produção de queratina fica comprometida.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o hipotireoidismo é a disfunção mais comum e costuma se manifestar de forma silenciosa. Vale conhecer todos os sintomas de hipotireoidismo para identificar o problema em fase inicial.
Como é a queda de cabelo causada pela tireoide?
A queda relacionada à tireoide é chamada de eflúvio telógeno e se caracteriza por ser difusa, ou seja, atinge todo o couro cabeludo em vez de formar falhas localizadas. Os fios saem em maior quantidade ao pentear, lavar ou apenas passar a mão na cabeça.
Esse padrão difere da alopecia androgenética e pode ser revertido com o controle hormonal adequado, orientado pelo endocrinologista após confirmação laboratorial da disfunção.

Quais são os 4 sinais no cabelo e nas unhas que merecem atenção?
Alguns sinais discretos, quando aparecem em conjunto e persistem por semanas, funcionam como um alerta precoce da disfunção tireoidiana:
- Queda difusa de cabelo, com fios se soltando de forma generalizada e sem falhas circulares no couro cabeludo.
- Cabelos secos e quebradiços, sem brilho, com pontas duplas e resistência baixa ao pentear.
- Unhas finas, moles e com estrias, que descamam em camadas, crescem devagar e quebram com facilidade.
- Sobrancelhas ralas no terço final, sinal conhecido como madarose ou sinal de Hertoghe, que costuma passar despercebido.
O que um estudo científico revela sobre esses sintomas?
A relação entre disfunção da tireoide e alterações capilares tem base sólida na literatura médica recente e ajuda a explicar por que esses sinais aparecem cedo. Uma revisão indexada no PubMed avaliou pesquisas publicadas entre 2010 e 2022 seguindo o protocolo PRISMA e reforçou o impacto subestimado dessas disfunções sobre os fios.
Segundo a revisão Impact of Thyroid Dysfunction on Hair Disorders publicada na revista Cureus em agosto de 2023, tanto o hipertireoidismo quanto o hipotireoidismo interferem no ciclo do folículo piloso e provocam queda difusa, além de comprometer o crescimento e a pigmentação dos fios. Os autores destacam que o problema ainda é pouco reconhecido na prática clínica.

Quais exames confirmam o problema na tireoide?
Para confirmar a suspeita, o médico solicita a dosagem de TSH e T4 livre no sangue, considerados os exames de referência para avaliar o funcionamento da glândula. O TSH costuma se alterar antes mesmo dos hormônios tireoidianos, o que permite identificar o problema em fases iniciais.
Em alguns casos, o endocrinologista pode complementar a investigação com a dosagem de T3 e T4, anticorpos antitireoidianos e ultrassonografia da glândula. Se os sinais no cabelo e nas unhas persistirem por mais de três meses, o ideal é buscar avaliação médica para descartar ou tratar a disfunção o quanto antes.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um médico ou profissional de saúde qualificado.









